Prática pode favorecer a estabilidade em alguns movimentos, mas escolha depende do tipo de atividade, das características de cada pessoa e da adaptação aos exercícios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Treinar descalça como Virgínia Fonseca: quando faz sentido? — Foto: Reprodução Instagram Virginia Fonseca voltou a chamar atenção nas redes sociais por um detalhe de seus treinos: em alguns momentos, a influenciadora aparece fazendo musculação sem tênis. Para quem está acostumado a associar academia a calçados esportivos, a cena pode causar estranhamento. A prática, no entanto, não é necessariamente inadequada. Em determinados movimentos, retirar o calçado pode ser uma escolha relacionada à estabilidade e à forma como os pés se apoiam no chão. A diferença está no contexto. Agachamentos e levantamento terra, por exemplo, exigem uma base firme para a execução do movimento. Dependendo do modelo utilizado, um tênis muito macio ou desenvolvido para corrida pode oferecer menos estabilidade do que um solado mais rígido ou até o contato direto com o piso. Isso não significa, porém, que ficar sem sapatos seja a melhor opção para todo mundo. "Treinar descalço não é automaticamente melhor ou pior. Em determinados exercícios de força, ter uma base mais estável pode favorecer a percepção do apoio dos pés e o controle do movimento. Por outro lado, isso não significa que retirar o tênis seja indicado para qualquer pessoa ou qualquer modalidade", explica o médico do Exercício e do Esporte Guilherme Moury Fernandes. Virgínia Fonseca treina descalça e chama atenção nas redes — Foto: Reprodução Instagram Por que algumas pessoas tiram o tênis para agachar? A escolha tem relação principalmente com a estabilidade. Em movimentos de força, a maneira como os pés entram em contato com o solo pode influenciar a execução e a distribuição das cargas. Por isso, alguns praticantes preferem calçados específicos para musculação, com solado mais firme, enquanto outros optam por treinar sem eles em determinados movimentos. "Em exercícios de força, estabilidade é fundamental. Dependendo do movimento, um calçado excessivamente amortecido pode criar uma base menos firme. Isso explica por que algumas pessoas preferem treinar descalças ou utilizar calçados específicos, com solado mais estável. A escolha precisa estar relacionada à biomecânica do exercício", afirma o médico. A prática não vale para todo o treino O que pode fazer sentido em um agachamento ou levantamento terra não necessariamente funciona em atividades que envolvem corrida, saltos ou deslocamentos. Nesses casos, as exigências sobre os pés e os membros inferiores mudam, assim como a função desempenhada pelo calçado. "Não podemos transformar uma estratégia utilizada em um exercício específico em regra para o treino inteiro. Corrida, saltos e atividades com deslocamentos apresentam demandas diferentes. Além disso, histórico de lesões, mobilidade, anatomia dos pés e capacidade de adaptação precisam ser considerados", alerta Guilherme. Outro aspecto é a adaptação. Passar a fazer musculação sem calçados de uma hora para outra pode representar uma mudança na forma como o corpo recebe e distribui as cargas. Pessoas com histórico de problemas nos pés, tornozelos ou membros inferiores também precisam de uma avaliação individual antes de incorporar a prática à rotina. Copiar o treino de Virgínia é uma boa ideia? A cena compartilhada por uma celebridade pode parecer simples, mas não revela necessariamente o planejamento por trás daquele hábito. Vídeos publicados nas redes sociais mostram apenas uma parte da rotina e não permitem saber quais avaliações foram feitas, quais objetivos orientam o treinamento ou se determinada escolha foi indicada especificamente para aquela pessoa. "Quando vemos alguém treinando nas redes sociais, não sabemos necessariamente quais avaliações foram realizadas, qual é o histórico daquela pessoa ou por que determinado exercício está sendo executado daquela maneira. O que funciona para uma pessoa não deve ser automaticamente reproduzido por outra", observa o especialista. A própria escolha de não usar tênis também precisa levar em conta o ambiente. Em uma academia, o calçado não está relacionado apenas à mecânica do movimento, mas também à proteção dos pés diante de objetos, equipamentos e possíveis impactos. Por isso, a decisão não deve ser tomada apenas pela sensação de maior contato com o chão. "Não é porque o pé está livre que automaticamente estamos fortalecendo mais ou prevenindo lesões. Dependendo do indivíduo e do exercício, pode existir benefício, neutralidade ou até aumento de sobrecarga. A progressão precisa respeitar a capacidade de cada pessoa", destaca. Virgínia Fonseca tira o tênis para treinar; entenda a escolha — Foto: Reprodução Instagram No fim, a imagem de Virgínia Fonseca treinando sem tênis não deve ser interpretada como uma nova regra para a musculação. A escolha entre usar ou não calçado depende do movimento, do objetivo e das características de quem pratica. "Antes de decidir entre tênis ou pés descalços, precisamos perguntar qual exercício será realizado, qual é o objetivo e quem é a pessoa que está executando. Na musculação, detalhes aparentemente simples podem modificar estabilidade e mecânica do movimento. A melhor escolha é aquela que oferece segurança e eficiência para aquele praticante", conclui Guilherme.
Por que Virgínia Fonseca treina descalça? Entenda a escolha da influenciadora
Prática pode favorecer a estabilidade em alguns movimentos, mas escolha depende do tipo de atividade, das características de cada pessoa e da adaptação aos exercícios






