A decisão do ministro André Mendonça que tornou públicas mensagens pouco republicanas de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes tem consequências que vão muito além do processo judicial. Moraes é juiz, mas a distorção da democracia brasileira faz dele personagem central da política, e revelações a seu respeito podem impactar as eleições, ainda que não se saiba em que direção ou intensidade.

A menos de um mês do primeiro turno, o país não pode correr o risco de descobrir, depois das eleições, que outras informações graves, capazes de influenciar a escolha dos eleitores, já eram conhecidas pelas instituições, mas receberam tratamento seletivo e permaneceram sob sigilo.

A gravidade do que já se revelou torna defensável que o interesse público impusesse sua divulgação. Moraes é ministro da mais alta corte do país e a sociedade tem o direito de conhecer fatos que possam colocar em dúvida a integridade de seus membros.

Ocorre que Mendonça relata outras investigações sensíveis do ponto de vista eleitoral, entre as quais fraudes no INSS e desdobramentos do Banco Master, como o que investiga recursos destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro e alcança fatos envolvendo seu filho Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.