Eleições 2026
O ministro André Mendonça agiu com o fígado ao divulgar, na terça-feira 1º, o relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Assim, não é possível resolver a grave crise no Supremo Tribunal Federal com o tradicional acordo de cavalheiros. A avaliação é de Gisele Cittadino, mestre em Direito pela UFSC, doutora em Ciência Política pelo IUPERJ e integrante do Grupo Prerrogativas, em entrevista a CartaCapital.
A semana foi de fogo contra fogo: dois dias após a publicação do documento da PF, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. A bomba está, agora, nas mãos do presidente da Corte, Edson Fachin, que terá de definir os próximos passos de um conflito que abala a mais alta Corte do País, a menos de um mês da eleição presidencial.
“Neste momento, eu pergunto: onde estão os cavalheiros para fazer esse acordo?”, questiona Cittadino. “Aquilo virou um lugar de tudo, menos cavalheiros. Tenho muita pena de Fachin em um momento deste, porque a situação dele é muito difícil.”
Fachin ouvirá as partes envolvidas e a Procuradoria-Geral da República antes de bater o martelo sobre os novos capítulos da contenda. “Esta presidência seguirá a legislação e a Constituição. Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, disse o ministro na sexta-feira 4. “As instituições da República precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão.”












