O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fez um aceno à colega Cármen Lúcia em sua decisão que afastou do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Como mostrou a Folha, Cármen é considerada uma espécie de fiel da balança na disputa interna que Mendonça trava com Alexandre de Moraes.

Ela até o momento não se mostra alinhada a nenhum dos colegas, e vê erros cometidos por ambos.

Em sua decisão, Mendonça usou como precedente uma decisão da ministra de 2022, quando considerou ilegal o monitoramento feito por órgãos de inteligência na gestão de Jair Bolsonaro sobre ativistas e críticos do governo.

"Nesse sentido, recorda-se que, no âmbito da ADPF 722, com relatora a ministra Cármen Lúcia, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais atos de produção ou compartilhamento de informações sobre a vida pessoal, as escolhas pessoais e políticas, as práticas cívicas de cidadãos, servidores públicos, bem como de professores universitários e quaisquer outros que, atuando nos limites da legalidade, exerçam seus direitos de livremente expressar-se, reunir-se e associar-se", declarou Mendonça.