O mais novo manual de história econômica na praça, escrito por uma dupla de professores da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas, traz novidades importantes sobre o passado recente do país.

Leonardo Weller e Thales Zamberlan Pereira (que publicou um livro com o responsável por esta reportagem), autores de "Entre Crises", buscam convencer o leitor de que está errado o contraste simplista –ainda muito repetido– entre um período áureo de desenvolvimento econômico, que vai da década de 1930 ao fim da ditadura, de um lado, e décadas perdidas, desde então, nas quais temos feito pouco mais do que patinar, sem sair do lugar.

O contraste precisa ser matizado, mostra o livro.

É verdade que, se comparamos as taxas de crescimento do PIB per capita e da produtividade da economia nos dois períodos, não há dúvidas de que elas avançaram bem mais no miolo do século 20.

Entre 1981 e 2023, o PIB per capita cresceu em média menos de 1% ao ano, enquanto nas quatro décadas entre 1941 e 1980, a renda havia avançado a um ritmo muito maior, de mais de 4% ao ano. Como é possível relativizar diferenças dessa magnitude?