Por Carlos Pinkusfeld Bastos, Ricardo Summa, Guilherme Haluska, Guilherme Klein, Joana Avritzer, Nathalie Marins e Fernando Ligiero*
O Brasil cresce pouco há quase meio século. Depois de figurar, no pós-Segunda Guerra, entre as economias que mais avançaram em PIB e renda per capita, o país passou, desde os anos 1980, a crescer apenas 2,2% ao ano — e 0,85% em termos per capita. Nesse período, perdeu dinamismo industrial, afastou-se da fronteira tecnológica e tornou sua pauta exportadora mais dependente de commodities.
É diante desse quadro que surge a “Carta de João Pessoa”, elaborada por economistas do Grupo de Macroeconomia da Demanda Efetiva, do Centro Internacional Celso Furtado. O documento compara cenários de política econômica para testar se o País pode crescer mais sem produzir uma trajetória explosiva para a dívida pública. Em vez de tratar como inevitável a combinação de baixo crescimento, juros altos e contenção do gasto, pergunta se há alternativas dentro da atual institucionalidade macroeconômica.
O debate costuma se dividir entre dois polos. De um lado, defensores do tripé macroeconômico, para quem reformas microeconômicas, liberalização e ajuste fiscal estrutural elevariam produtividade e crescimento potencial. De outro, críticos que veem na política fiscal e monetária vigente um obstáculo à expansão e defendem ruptura mais profunda.







