Balança comercial teve superávit de US$ 7,4 bi em agosto e de US$ 55,3 bilhões em 2026 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump e Lula em encontro no ano passado: decisão definitiva sobre tarifaço deve sair até o próximo dia 15. Brasil teme influência política na decisão — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP Com o novo tarifaço do governo de Donald Trump contra o Brasil, as exportações para os Estados Unidos já acumulam queda de 9,7% no ano até agosto, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em agosto, primeiro mês fechado da taxação de 37,5% sobre parte da pauta exportadora brasileira, houve alta de 12,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, que foi quando Trump implementou a primeira taxação sobre o Brasil - naquela época a tarifa chegava a 50%. Foram US$ 3,190 bilhões (contra US$ 2,845 bilhões no mesmo mês de 2025) em artigos enviados para a maior economia do mundo no mês passado e US$ 24,105 bilhões no acumulado do ano (contra US$ 26,705 bilhões de janeiro a agosto do ano passado). Apesar do baque nas vendas para os americanos, as exportações brasileiras cresceram 10,3% (US$ 250,9 bilhões) no acumulado do ano até agosto graças ao aumento dos embarques para outros países. As importações aumentaram 6,1% (US$ 195,5 bilhões). O saldo foi superavitário em US$ 55,3 bilhões. Em agosto, o superávit foi de US$ 7,394 bilhões, um aumento de 23,8% frente ao oitavo mês de 2025. O número foi resultado de US$ 33,2 bilhões em exportações (12,2%) US$ 25,8 bilhões em compras do exterior (9,2%). No final de julho, o governo Trump adotou duas novas tarifas adicionais sobre as exportações brasileiras. A primeira sobretaxa, de 25%, foi imposta sob a acusação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Já a taxação de 12,5% foi aplicada por suposta falha do país em barrar importações de produtos fabricados com trabalho forçado. As tarifas do governo Trump reduzem a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA, que ficam mais caros para o consumidor final americano ou empresas que importam insumos do Brasil. Em agosto, destaca-se o aumento das exportações para a União Europeia, de 46,4%, para US$ 5,824 bilhões. Os embarques para China, maior parceiro comercial brasileiro, caíram 10,9%, já para a Argentina a queda foi de 9,6%. No ano, as vendas para a China somaram US$ 77,07 bilhões, um aumento de 15% no valor embarcado. As exportações para a UE também cresceram 15%, mas o valor enviado é bem menor, de 37,293 bilhões. Para a Argentina, há queda de 17,5% nos embarques este ano, para US$ 10,228 bilhões. Nesta tarde, em entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), o presidente Lula comentou a relação com os Estados Unidos e voltou a dizer que o Brasil não aceitará interferência externa nas eleições. O presidente afirmou que mantém uma boa relação com Donald Trump, mas disse que o governo brasileiro buscará outros mercados caso os americanos reduzam as compras de produtos do país. — Se os Estados Unidos não quiserem comprar da gente, não vou ficar chorando. Vou procurar quem quer comprar. Nós precisamos ser muito respeitados. A minha relação com o Trump é boa. Faz uma semana que tivemos uma conversa boa e depois o secretário conversou com o nosso ministro do Mdic — afirmou. Lula também disse que eventuais divergências com Trump devem ocorrer no campo político e da “narrativa”, e não por meio de uma confrontação entre os dois países. — Eu não quero guerra com você. Eu quero guerra com você na narrativa, mostrar que você não está sendo verdadeiro no Brasil — disse, ao reproduzir o que afirmou ter dito ao presidente americano. Ao ser questionado sobre uma possível interferência do governo dos Estados Unidos na eleição brasileira, Lula afirmou que não aceitará ingerência estrangeira no processo eleitoral. — Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. Se entrar, vai perder — declarou.