0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tarifaço de Trump: São sete os pontos de discórdia — Foto: Criação O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 13:58 Exportações do Brasil para EUA atingem menor nível em 30 anos As exportações brasileiras para os EUA caíram ao menor nível em 30 anos, atingindo 9,3% do total, reflexo de tarifas impostas que ameaçam se intensificar. O percentual já foi de 26% em 2002. A relação comercial sofre com a concorrência da China e a falta de diálogo eficaz com os EUA, que se mantêm inflexíveis, apesar de esforços diplomáticos brasileiros para reverter a situação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois do tarifaço, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para o menor nível em 30 anos e chegaram a 9,3% do total entre agosto do ano passado e maio deste ano, de acordo com levantamento feito pelo jornal Valor. Em uma entrevista ao meu programa na GloboNews, o embaixador Maurício Lyrio já havia alertado que as vendas externas para os norte-americanos estavam abaixo de 10%. No começo do século, cerca de 25% das exportações brasileiras eram destinadas aos Estados Unidos. Antes do tarifaço, esse percentual era de 12,4%. Em 2002, segundo levantamento do Valor, esse número era de 26%, o que representou o ápice das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Ou seja, de cada US$ 100 exportados pelo Brasil, US$ 26 iam para o mercado americano. E isso veio caindo ao longo do tempo. Há uma questão estrutural mais profunda. As relações com os Estados Unidos foram perdendo força, até porque o Brasil passou a exportar muito mais para a China, especialmente commodities. Mas o que aconteceu agora, com o tarifaço, foi uma queda muito forte em um período curto de tempo. Os dados mostram que, de agosto de 2024 a maio de 2025, ou seja, nos 12 meses anteriores ao tarifaço, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras era de 12,4%. Agora, esse número recuou para 9,3%. É uma queda expressiva, porque o Brasil ficou sujeito a uma das maiores tarifas, de 50%. E, neste momento, não há expectativa de melhora, porque estamos sob a ameaça de um novo tarifaço em julho. Desta vez, será mais difícil enfrentar a medida na Justiça, porque o primeiro acabou sendo considerado inconstitucional. As tarifas aplicadas ao mundo inteiro foram questionadas porque Trump utilizou um instrumento legal que não se sustentou: a emergência econômica. Agora, Trump está usando uma lei consolidada há muito tempo, que possui um rito próprio para sua aplicação: a lei de comércio. Isso tornará mais difícil derrubar as tarifas. E o Brasil, ao que tudo indica até agora, não tem conseguido estabelecer um canal produtivo de diálogo sobre todos esses pontos levantados pelos Estados Unidos. No ano passado, essa discussão foi conduzida de forma politizada por parte dos Estados Unidos. E, por mais que o governo converse, negocie, mobilize empresários, integrantes do governo e comissões de alto nível, não há sinais de que os americanos estejam dispostos a ouvir os argumentos brasileiros e deixar de aplicar essas tarifas. A audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos está marcada para o dia 6 de julho, e não há muitos motivos para esperar uma mudança significativa em relação às decisões tomadas até aqui. As conversas que tenho tido com negociadores brasileiros apontam para o seguinte: eles não vão desistir. Continuarão tentando, pela via diplomática, apresentar ponto a ponto os argumentos do Brasil. Mas também não têm grandes expectativas de mudança, porque os Estados Unidos estão acusando o país de questões que não fazem sentido. Um exemplo é o desmatamento. O país ainda desmata, mas os índices vêm caindo de forma significativa. Além disso, no primeiro governo Trump, não houve preocupação com o aumento do desmatamento durante o governo Bolsonaro. O Pix não será alterado, e tampouco faz sentido que os Estados Unidos exijam isso. São outros pontos que o Brasil tem levantado e que, até agora, os americanos simplesmente não querem ouvir. O principal argumento brasileiro é que o país tem déficit comercial com os Estados Unidos há muitos anos. Como lembrou o embaixador Maurício Lyrio, o déficit acumulado chega a cerca de US$ 400 bilhões. Mesmo assim, o Brasil continua sendo alvo das medidas protecionistas do governo americano.
Exportações aos EUA caem ao menor nível em 30 anos, e ameaça de novo tarifaço afasta perspectiva de melhora
Exportações aos EUA caem ao menor nível em 30 anos, e ameaça de novo tarifaço afasta perspectiva de melhora







