Agência de energia atômica estima que, antes de instalações serem bombardeadas, a República Islâmica tinha 440,9 kg de urânio enriquecido a nível próximo do necessário para produzir armas nucleares 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha buscam aprovar na próxima semana uma resolução no conselho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para levar o caso do Irã ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) pela primeira vez em 20 anos, segundo diplomatas e o texto da proposta visto pela Reuters. Se aprovada, a resolução daria prosseguimento a uma medida adotada em 12 de junho do ano passado que declarou que a República Islâmica estava em descumprimento de suas obrigações de não proliferação por não cooperar plenamente com uma investigação sobre vestígios de urânio encontrados em locais não declarados. Israel começou a bombardear as instalações nucleares do Irã no dia seguinte, sendo logo acompanhado pelos Estados Unidos. As usinas de enriquecimento de urânio do Irã foram destruídas ou seriamente danificadas. Desde então, Teerã não permitiu que inspetores da AIEA retornassem aos locais bombardeados nem verificassem o que restou de seus estoques de urânio enriquecido, parte do qual havia sido enriquecida a até 60% de pureza, nível pouco abaixo do grau necessário para armas nucleares. Uma resolução do conselho de 35 países da AIEA levando o caso do Irã ao Conselho de Segurança também marcaria o ponto culminante de um impasse sobre o acesso da agência a essas instalações, uma vez que o conselho aprovou duas resoluções no último ano exigindo que o regime autocrático declarasse seus estoques de urânio enriquecido e concedesse à AIEA acesso total para verificá-los. “[O conselho] solicita ao diretor-geral [da AIEA] que transmita esta resolução e as resoluções anteriormente adotadas (...) a todos os membros da Agência e ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral das Nações Unidas”, diz o mais recente projeto de resolução visto pela Reuters. O texto também “reitera seu apelo ao Irã para que corrija urgentemente seu descumprimento do Acordo de Salvaguardas, tomando todas as medidas consideradas necessárias pela Agência e pelo conselho, para que o diretor-geral possa fornecer as garantias necessárias quanto à exatidão e à integridade das declarações do Irã”. O logotipo da AIEA é exibido em frente à sede da agência em Viena, na Áustria, em 5 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Elisabeth Mandl/Foto de arquivo O projeto ainda não foi formalmente apresentado ao conselho, e as negociações sobre sua redação exata continuam, disseram diplomatas. Sempre que as quatro potências apresentaram um projeto de resolução sobre o Irã nos últimos anos, ele foi aprovado. É improvável, porém, que o Conselho de Segurança adote medidas concretas contra a República Islâmica, já que Rússia e China, aliadas de Teerã, são membros permanentes com poder de veto. Preocupações da AIEA com enriquecimento elevado O Irã frequentemente retaliou após resoluções do conselho da AIEA contra o país, seja ampliando suas atividades nucleares, seja reduzindo a cooperação com a agência, mas suas opções em ambas as frentes estão atualmente extremamente limitadas. Não está claro que outras repercussões a medida poderia ter sobre o conflito de Teerã com os Estados Unidos. Como signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), o Irã tem o direito de desenvolver tecnologia nuclear, incluindo enriquecimento, para fins pacíficos. O país afirma reiteradamente que jamais produziria armas nucleares. A nação persa é, no entanto, a única a enriquecer urânio a 60% sem produzir uma bomba. A AIEA afirmou que a quantidade enriquecida a esse nível é motivo de séria preocupação. Uma imagem de satélite feita em 1º de fevereiro de 2026 mostra um novo telhado sobre um prédio anteriormente destruído na instalação nuclear de Isfahan, no Irã. 2026 — Foto: PLANET LABS PBC/Divulgação via REUTERS A agência estima que o Irã tinha 440,9 kg de urânio enriquecido a esse nível antes de suas instalações serem bombardeadas. Essa quantidade seria suficiente, caso fosse enriquecida ainda mais, para produzir 10 armas nucleares, de acordo com os parâmetros da AIEA.