Os Estados Unidos estão preparando um projeto de resolução para condenar o Irã antes da reunião da próxima semana do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informaram diplomatas nesta sexta-feira (5). A iniciativa pode complicar as negociações mais amplas em andamento entre Washington e Teerã. Estados Unidos e Irã negociam uma extensão do cessar-fogo entre os dois países que abriria caminho para discussões sobre questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano. O presidente americano, Donald Trump, insiste que o Irã jamais poderá desenvolver uma arma nuclear. Teerã, por sua vez, afirma que nunca pretendeu fazê-lo. Ataques militares israelenses e americanos realizados em junho do ano passado destruíram ou danificaram gravemente as três instalações de enriquecimento de urânio que se sabia estarem em operação no Irã naquele momento. No entanto, acredita-se que boa parte do estoque de urânio altamente enriquecido tenha sobrevivido, embora a AIEA ainda não tenha tido acesso para verificar a situação. Com a reunião trimestral do Conselho da AIEA marcada para a próxima semana, Washington prepara um texto de resolução, embora ainda não o tenha distribuído aos demais países-membros. Por isso, os detalhes permanecem incertos, segundo diplomatas credenciados junto à agência. O Irã reagiu de forma negativa a resoluções anteriores aprovadas pelo conselho, frequentemente respondendo com a ampliação de suas atividades nucleares ou reduzindo a cooperação com a AIEA. Desta vez, uma preocupação mais imediata é o possível impacto sobre as negociações com os Estados Unidos. “Acredito que isso pode antagonizar o lado iraniano”, disse o embaixador da Rússia junto à AIEA, Mikhail Ulyanov, a jornalistas. O Representante Permanente da Rússia junto às Organizações Internacionais em Viena, Mikhail Ulyanov, fala à imprensa à margem de uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA em Viena, Áustria, em 5 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Elisabeth Mandl Rússia e China foram os dois países que se opuseram a todas as resoluções recentes contra o Irã no Conselho da AIEA. Essas resoluções foram apresentadas conjuntamente por Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha e acabaram aprovadas por ampla margem. “Até onde sei, eles pretendem pedir ao Irã que conceda acesso ao pessoal da agência às instalações nucleares localizadas em seu território”, afirmou Ulyanov, acrescentando, porém, que não acredita que os EUA efetivamente apresentarão o projeto. A missão americana junto à AIEA recusou-se a comentar. A última vez que a AIEA aprovou uma resolução contra o Irã foi em novembro, determinando que Teerã informasse “sem demora” a situação de seus estoques de urânio enriquecido e das instalações nucleares bombardeadas — algo que ainda não ocorreu. Já uma resolução aprovada em junho concluiu que o Irã havia violado suas obrigações de não proliferação pela primeira vez em quase 20 anos, levantando a possibilidade de encaminhar o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Até o momento, porém, o Conselho da AIEA não deu esse passo adicional.