Na imposição das barreiras às carnes brasileiras, como a que entrou em vigor nesta quinta-feira (3) por parte da União Europeia, o Brasil precisa se preocupar mais com o frango do que com o boi. A concorrência internacional favorece a bovinocultura, mas deve ficar mais acirrada na avicultura.

O cenário para a carne bovina brasileira é mais tranquilo devido à queda de rebanhos em produtores importantes, como os Estados Unidos, e à difícil recuperação no curto prazo. Já no frango, há uma concorrência forte vinda da China, que, de importadora, passou a ser exportadora nesse setor.

O país asiático está em busca de novos mercados, com preços competitivos. Inclusive, aumentou muito a participação no mercado da União Europeia, que está impondo amarras ao produto brasileiro.

A produção mundial de carne bovina deve atingir 62 milhões de toneladas, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Desse volume, 12,4 milhões têm origem no Brasil e 11,7 milhões nos Estados Unidos, os dois principais mercados mundiais.

A União Europeia, que está deixando de comprar a carne brasileira enquanto o país não provar que parou de usar substâncias antimicrobianas na produção animal, tem um rebanho em queda e elevados custos de produção, devido a insumos e pressões regulatórias. Apesar de uma retração no consumo, o bloco vai continuar dependente de carne bovina.