0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 União Europeia bloqueou a exportação de carne brasileira para o bloco — Foto: Ana Paula Paiva/Infoglobo O Brasil, de fato, utiliza produtos proibidos na União Europeia, tanto agrotóxicos quanto antimicrobianos, que podem contribuir para uma engorda mais rápida do gado. Esse é o primeiro ponto que precisa ser abordado quando se fala no bloqueio do bloco às exportações de carne brasileira. É importante ressaltar, porém, que o Brasil não precisaria recorrer a esses recursos. O país possui vastas vantagens comparativas na produção agropecuária e poderia avançar na adoção de práticas que, além de atender às exigências dos mercados internacionais, derrubando barreiras a nossa exportação, reduzam os riscos à saúde humana. A partir das negociações com a União Europeia, foi desenvolvido um protocolo pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo a Abiec, 100% das empresas associadas e habilitadas a exportar para o bloco já aderiram ao protocolo — medidas que, vale ressaltar, também são positivas para o mercado brasileiro. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) chegou a afirmar que mantinha separada a produção de frango destinada à União Europeia. Essa medida, no entanto, não foi considerada suficiente pelo mercado europeu. A exigência de rastreabilidade dos animais, que permita saber quais produtos foram utilizados durante sua criação, faz todo sentido e é perfeitamente possível de ser implementada. Esse tipo de controle já existe, por exemplo, para comprovar que a produção não é proveniente de áreas de desmatamento recente ou de áreas de proteção ambiental. O que está sendo exigido agora é um controle sobre produtos que podem afetar a saúde humana. E o Brasil não conseguiu comprovar que realizava o rastreamento necessário para avaliar adequadamente o uso de substâncias proibidas pelo bloco europeu. A questão, agora, é que, apesar da grande adesão ao protocolo de eliminação de antimicrobianos da cadeia produtiva, a retomada das exportações não poderá ocorrer de imediato. Será necessário cumprir um ciclo de produção de 36 meses ou mais até o abate. No caso do frango, que também está sob risco de bloqueio, esse ciclo é bem mais curto: cerca de 45 dias. Apesar de as exigências serem justificáveis, não há dúvida de que a medida também tem um caráter protecionista. Produtores agrícolas europeus pressionam por barreiras à entrada de produtos brasileiros. Mas o fato é que os produtores do Brasil não podem dar munição para esse tipo de medida. A grande lição desse episódio para o Brasil é a necessidade de priorizar práticas de proteção à saúde. Não se trata apenas de cumprir as regras impostas pelos mercados internacionais para garantir as exportações, mas de estabelecer padrões de produção que também protejam a saúde e a vida dos brasileiros.