Presidente entrou na articulação política nas últimas semanas para garantir votação da proposta, mas não havia acordo para que PEC fosse levada ao plenário 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 não avançou no Congresso nesta semana por atuação dos aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa à Presidência. A PEC foi aprovada no dia anterior na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não foi levada ao plenário. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautar a proposta. Na semana passada, Alcolumbre almoçou com Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a pauta de votações. Após o encontro, o presidente do Senado disse que a PEC seria levada à CCJ —mas despistou sobre a votação em plenário. Apesar disso, o entorno de Lula dizia acreditar ser possível que o tema fosse votado. O Palácio do Planalto queria aprovar a PEC diante da avaliação de que é uma matéria de amplo apoio popular com potencial de ser explorada como vitrine eleitoral na campanha do petista. Desde que a proposta passou a ser discutida no Congresso, Lula e seus aliados têm usado a PEC 6x1 como arma política para fazer um contraponto à atuação de parlamentares, dizendo que o governo atua pelos interesses do povo, diferentemente do Congresso. Nas últimas semanas, o próprio Lula entrou na articulação política para destravar o andamento da PEC e passou a falar mais sobre o fim da escala 6x1 —em falas públicas e também nas propagandas eleitorais de rádio e televisão. Nesta quinta-feira, em publicação nas redes sociais, Lula diz que o Brasil testemunhou “quem é quem no Congresso Nacional”. “Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu o petista. — É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário — disse Lula. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, foi um dos principais senadores a se posicionar contra a matéria. Ele pediu vista ao projeto. O tema é considerado prioritário para o entorno de Lula, diante da avaliação que é uma medida popular de grande alcance e que poderá ser explorada como vitrine eleitoral do petista na campanha. “Os brasileiros e brasileiras que trabalham seis dias por semana e, muitas vezes, dedicam o sétimo aos afazeres domésticos, já cansaram de esperar. Estamos com vocês. Seguimos mobilizados. Pelo fim da escala 6x1!”, escreveu Lula na publicação nas redes. Na publicação desta quinta-feira, Lula não citou nominalmente nem seus adversários nem Alcolumbre. Em últimas declarações o presidente vinha citando o presidente do Senado e os senadores para cobrar a aprovação da proposta. De acordo com relatos, há uma orientação de aliados de Lula para evitar esse embate direto com a cúpula do Congresso, a fim de não tensionar o clima político, e centrar esforços em desgastar Flávio Bolsonaro e seus aliados. Essa linha foi dada também pelo secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, que tem assento na coordenação da campanha de Lula. Em publicação nas redes, o petista disse que "o Congresso não é inimigo do povo", em referência a mote estimulado pelo Palácio do Planalto em outros momentos de tensão com o Legislativo, mas que "os apoiadores de Flávio Bolsonaro é que são". A avaliação de integrantes da campanha do petista à reeleição é que é preciso expor e desgastar Flábio Bolsonaro com o tema, já que o senador tem se colocado contrário ao avanço da matéria. Isso porque o fim da escala de trabalho 6x1 tem apelo popular e é um tema da vida cotidiana do povo. Um aliado do presidente da República diz que é preciso seguir essa linha, pautando o debate por esse tema e não outros assuntos que podem desgastar o petista. A expectativa de governistas era a de que a PEC pudesse ser votada nesta semana, já que, a princípio, será a última com sessões de votação no Congresso antes do primeiro turno das eleições. Na noite de terça-feira, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), se reuniu com Alcolumbre para buscar destravar a votação, mas não teve sucesso. Randolfe disse à imprensa que o governo federal não tinha a garantir dos 49 votos necessários para aprovar a mudança na Constituição. Conforme o petista, Alcolumbre perguntou aos senadores governistas se havia segurança sobre o número de votos antes de colocar a PEC em votação. Após consultar o mapa de votação, Randolfe disse que a resposta foi negativa.
Lula diz que PEC da 6x1 não avançou no Congresso por atuação de aliados de Flávio e cobra votação
Presidente entrou na articulação política nas últimas semanas para garantir votação da proposta, mas não havia acordo para que PEC fosse levada ao plenário












