Planalto busca ampliar rejeição do senador, enquanto entorno do senador vê tentativa de desgaste eleitoral e celebra adiamento da votação em plenário 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Flávio na bancada do JN — Foto: Manoella Mello/TV Globo Aprovada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1 virou um novo campo de batalha na disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar de ter avançado na comissão, o texto não foi levado ao plenário, onde o governo não tinha segurança de reunir os 49 votos necessários para aprová-lo. O desfecho foi visto com alívio no entorno do candidato do PL, que escapou de ter que se posicionar diretamente sobre uma pauta de forte apelo popular e que enfrenta resistência de setores empresariais. Nos últimos dias, Flávio passou a usar a proximidade de Lula com Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para desgastar o adversário. No caso da jornada de trabalho, Lula disse que a PEC não avançou no Congresso nesta semana por atuação dos aliados de Flávio Bolsonaro, como o coordenador-geral da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN). “Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta. É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário”, disse Lula. Marinho, por sua vez, reagiu às declarações do presidente e o chamou de “mal-intencionado”. O senador acusou o petista de tentar enganar a população ao defender a redução da jornada sem diminuição dos salários e classificou a proposta como um “golpe da picanha 2”. "Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é. Então, posso afirmar com toda a certeza que é mal-intencionado. Você está aplicando o golpe da picanha 2, tentando fazer o povo acreditar que é possível reduzir a jornada sem redução de remuneração e que isso não terá consequências para todos", escreveu Marinho. O coordenador da campanha disse ainda que a mudança provocaria aumento de preços, fechamento de empresas, desemprego e informalidade e chamou Lula de “ladrão da esperança”. No QG de Flávio, a declaração foi recebida como uma tentativa de transformar a 6x1 em instrumento de desgaste eleitoral. A avaliação, porém, é que o movimento também produz um efeito considerado favorável: ao escolher o senador como alvo, Lula reforça a polarização direta com Flávio e lhe confere protagonismo na disputa. A campanha de Lula tenta passar para o eleitor que Flavio é "inimigo" dos trabalhadores. Além do próprio discurso de Lula, peças de propaganda tem enfatizado a ideia de que o senador nunca trabalhou e que foi beneficiado a vida inteira por ser filho de Jair Bolsonaro. Por isso, não teria empatia com as demandas do mundo do trabalho. O foco do PT é ampliar a rejeição do senador, que de acordo com a Quaest divulgada nesta quarta-feira é de 55%. A do petista é de 53%. Na publicação desta quinta-feira, Lula não citou nominalmente nem seus adversários nem Alcolumbre. Em últimas declarações o presidente vinha citando o presidente do Senado e os senadores para cobrar a aprovação da proposta. De acordo com relatos, há uma orientação de aliados de Lula para evitar esse embate direto com a cúpula do Congresso, a fim de não tensionar o clima político, e centrar esforços em desgastar Flávio Bolsonaro e seus aliados. Essa linha foi dada também pelo secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, que tem assento na coordenação da campanha de Lula. Em publicação nas redes, o petista disse que “o Congresso não é inimigo do povo”, em referência a mote estimulado pelo Palácio do Planalto em outros momentos de tensão com o Legislativo, mas que “os apoiadores de Flávio Bolsonaro é que são”. A aprovação do fim da escala 6x1 é um dos principais motes da campanha de Lula para abrir vantagem maior sobre o senador. Lula tem se empenhado pessoalmente em articular a aprovação do texto junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ontem, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), reconheceu que a base governista não tinha segurança de reunir os 49 votos exigidos para uma mudança constitucional. Enquanto a votação se desenrolava em Brasília, Flávio estava no Rio Grande do Sul, onde cumpria agenda de campanha. O senador participou de compromissos ligados ao agronegócio durante a Expointer, em Esteio, e encerrou o dia com um comício em Porto Alegre. Na articulação legislativa, coube ao coordenador-geral de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), assumir o protagonismo da resistência à proposta. Marinho tentou construir uma alternativa à PEC e defendeu um modelo baseado em jornadas flexíveis. Ao final da votação, apenas quatro senadores registraram posição contrária ao texto. Logo depois da deliberação na comissão, Marinho criticou a possibilidade de a proposta ser levada ao plenário entre os dois turnos da eleição. — É um negócio complicado — afirmou.
Lula e coordenador da campanha de Flávio trocam acusações sobre fim da escala 6x1
Planalto busca ampliar rejeição do senador, enquanto entorno do senador vê tentativa de desgaste eleitoral e celebra adiamento da votação em plenário













