Situação do enclave espanhol se agravou em julho, quando mais de 70 mil pessoas cruzaram a fronteira a partir do Marrocos em uma onda de travessias que deixou mortos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas participam de uma manifestação em apoio aos moradores do enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, após as recentes travessias em massa de migrantes a partir do Marrocos, em Madri, na Espanha, em 2 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Violeta Santos Moura Moradores de Ceuta, no norte da África, foram às ruas nesta quarta-feira para protestar contra a forma como Madri tem lidado com a crise migratória. A situação do enclave espanhol se agravou em julho, quando ao menos 72 mil pessoas cruzaram a fronteira a partir do Marrocos em uma onda de travessias que deixou mortos. Milhares de pessoas marcharam pelas ruas da cidade, que tem cerca de 80 mil habitantes, em um protesto que coincidiu com o Dia de Ceuta, celebrado anualmente. Agitando bandeiras espanholas e soprando apitos, os manifestantes gritavam: “Ceuta não está à venda, Ceuta deve ser defendida.” Um cartaz dizia: “SOS. Europa, salve-nos de nosso governo traidor”, enquanto alguns exigiam que as autoridades “expulsassem os invasores” e outros pediam a renúncia do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Manifestações também ocorreram em outras cidades da Espanha, incluindo Madri, Barcelona e Bilbao. Quase cinco semanas depois da onda de travessias, mais de 10 mil migrantes, incluindo menores desacompanhados, continuam retidos em acampamentos improvisados ou espalhados pelas ruas e praias do enclave, segundo as autoridades de Ceuta. A presença deles provocou protestos quase diários de moradores contra a forma como o governo espanhol tem administrado a crise, com manifestantes pedindo que os migrantes sejam enviados de volta a seus países de origem ou redistribuídos pelo território espanhol. essoas participam de uma manifestação em apoio aos moradores de Ceuta, após as recentes travessias em massa de migrantes do Marrocos para o enclave, em Ceuta, na Espanha, em 2 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Pedro Nunes “A resposta foi inadequada, tardia e, para completar, envolveu um completo abandono das responsabilidades por parte do governo. Não podemos ser cidadãos de segunda classe, e nossa fronteira não pode ser deixada de lado”, disse David Hernandez, professor de 45 anos. Protestos recentes registraram ataques esporádicos contra um acampamento improvisado de migrantes na praia de El Trampolin e prisões de cidadãos marroquinos que atiraram pedras e garrafas contra patrulhas do Exército. Impasse político dificulta solução Os protestos realizados nesta quarta-feira em toda a Espanha foram convocados pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP), dominada pelo conservador Partido Popular (PP), principal força de oposição. O governo de esquerda da Espanha se distanciou da iniciativa, acusando a direita de explorar a crise para obter benefícios políticos. “Isso não se trata de defender Ceuta e os habitantes de Ceuta, mas de atacar o governo”, disse o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, à rádio RNE. Um manifesto da iniciativa cidadã “Por Ceuta”, que pede respeito aos direitos humanos dos moradores e dos migrantes, o retorno de forma ordenada daqueles que não têm direito de permanecer e o reforço da segurança, reuniu quase 65 mil assinaturas. A iniciativa afirma não ter filiação política. Coletivos de esquerda e sindicatos organizaram atos em resposta em várias cidades, incluindo Madri, para condenar as “perseguições e os ataques racistas e islamofóbicos” contra migrantes em Ceuta desde a onda de travessias. Pessoas participam de uma manifestação contra o racismo em meio à crise migratória no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em Madri, na Espanha, em 2 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Susana Vera As negociações entre os governos local e central sobre como lidar com a crise estão paralisadas. O PP, que governa a maioria das regiões, algumas delas em coalizão com o partido de extrema direita Vox, defende que todos os que permanecem no enclave, incluindo menores de idade, sejam deportados. O governo ampliou a capacidade dos centros de alojamento temporário de cerca de 500 para mais de 3.400 vagas e enviou mais de 1.600 policiais ao enclave. Grupos locais e líderes políticos, no entanto, afirmam que as medidas ainda estão muito aquém do necessário para garantir a segurança de moradores e migrantes. “O governo central precisa fornecer recursos, e o governo local precisa disponibilizar espaço... essa é a batalha em que estamos”, disse Juan Miguel Morales, diretor da organização beneficente Sur Acoge. “Faltou agilidade na resposta: isso está claro.”