Há pouco mais de dois meses morreu, aos 63 anos, o poeta carioca Alexei Bueno. Li, por esses dias, o seu monumental "Poesia Completa e Traduzida", publicado pela G. Ermakoff Casa Editorial. Não é o seu livro mais recente, mas é, sobretudo, o que reúne o universo de sua produção poética das últimas quatro décadas de vida, em volume de 1.052 páginas, distribuídas por obras que vão desde "As Escadas da Torre", de 1984, a "A Noite Assediada", de 2022, essa reunindo seus poemas em prosa.

Os dois livros derradeiros que recebi de Bueno foram "Naquele Remoto Agora", de 2024, e "A Chave Quebrada", que saiu em abril deste ano.

Me aproximei de Alexei Bueno no início da década de 1990, quando já era poeta afamado e conhecido por suas calorosas polêmicas, entre as quais a defesa intransigente de suas ideias, o que fez colecionar uma lista de inimigos tão grande quanto sua extensa produção literária.

Conhecedor profundo de arte e literatura, Bueno organizou a obra completa de diversos autores canônicos, especialmente para a Nova Aguilar, onde também foi editor, entre os quais Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Mário de Sá-Carneiro, Olavo Bilac, Jorge de Lima, Vinicius de Moraes, Almada Negreiros, Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo.