"A dramaticidade dos nossos tempos força os cineastas a fazerem filmes políticos." Foi assim que Alberto Barbera, diretor do 83º Festival de Veneza, inaugurado na manhã desta quarta-feira (2), justificou a forte presença de filmes politizados na programação deste ano. E também foi como deu a entender que a seleção foi feita antes por uma questão de oferta que propriamente por uma posição militante da curadoria.
É a postura de um evento que pretende não se implicar diretamente nas discussões atuais sobre a obrigação ou não de a arte ter um aspecto mais socialmente atuante –no último Festival de Berlim, o presidente do júri, Wim Wenders, foi "cancelado" ao tentar separar arte de política.
Sabendo que questionamentos semelhantes surgiriam em uma conversa com a imprensa com o júri de seu festival, Barbera chegou a cancelar a coletiva deste ano, e embora tenha alegado conflito de agenda, na boca miúda se falava que ele queria poupar os jurados de algum embaraço. Mas o diretor voltou atrás, e na coletiva da manhã desta quarta, a presidente Maggie Gyllenhaal não fugiu do tema.
"Para mim o cinema é sobre empatia. Ele nos permite encontrá-la dentro de nós", disse a atriz. "O cinema é, sim, fundamentalmente e inevitavelmente político, entre outras coisas."













