Atividade avançou 0,2% após dois meses de queda, mas freio em bens intermediários, que tem peso relevante, limita resultado. No ano, setor acumula alta de 1,1% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navio-plataforma P-71, instalado no campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos, a 200 km da costa do Rio de Janeiro — Foto: Márcia Foletto A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho, na comparação com junho, e interrompeu uma sequência de dois meses de queda, segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira. O avanço foi puxado, principalmente, pela produção de equipamentos de informática e eletrônicos. Apesar da alta no mês, o resultado ainda mostra um setor sem grande impulso. Na comparação com julho de 2025, a indústria recuou 0,5%. No acumulado de janeiro a julho, a indústria registra alta de 1,1%. Em 12 meses, o avanço é de 0,6%. O que dizem analistas? Embora ainda no campo positivo, o resultado decepcionou analistas econômicos - que projetavam um avanço ao redor de 0,7% no mês de julho -, que avaliam que a indústria tem dificuldade em encontrar espaço para crescer em meio aos juros altos. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, lembra que a indústria extrativa cresceu 2,5% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já a indústria de transformação recuou 1,1% nessa mesma métrica, indicando uma trajetória fraca da atividade industrial. "Os juros elevados ajudam a explicar essa dinâmica, já que a Selic em patamar restritivo deixa o crédito mais caro e desestimula investimentos por parte das empresas", explica. "A perspectiva é que a produção industrial continue perdendo força ao longo dos próximos meses, refletindo principalmente os resultados mais fracos da indústria de transformação. Por outro lado, a indústria extrativa deve continuar crescendo e oferecendo algum suporte ao setor industrial como um todo. Nossa projeção é de um leve crescimento da produção industrial em 2026 na comparação com o ano passado", conclui, em comentário. Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, também avalia que a indústria continuará enfrentando dificuldades até o fim do ano. "A deterioração da confiança empresarial, a queda nos índices de gerentes de compras da indústria de transformação e as condições monetárias e financeiras restritivas sugerem que o setor continuará a enfrentar ventos contrários pelo restante de 2026", escreveu, em relatório. Queda dos bens intermediários freia resultado Das quatro grandes categorias pesquisadas, três tiveram alta. O avanço no mês de julho foi sustentado pela produção de bens de consumo duráveis e bens de capital. A produção de bens duráveis avançou 3,2%, enquanto a de bens de capital, que engloba máquinas e equipamentos usados para ampliar a capacidade produtiva, cresceu 2,4%. Bens de consumo semi e não duráveis também tiveram alta, de 0,5%. O desempenho, porém, foi limitado pela queda de 0,2% na produção de bens intermediários, que têm grande peso na indústria por serem utilizados como insumos em outras etapas da produção. A produção de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, produtos alimentícios e derivados de petróleo foi a que mais contribuiu para o avanço da indústria em julho. Os três segmentos, no entanto, vinham de dois meses consecutivos de queda, o que indica certa correção. Também contribuíram positivamente a produção de outros equipamentos de transporte, produtos do fumo, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e artigos do vestuário. No ano, setor tem alta de 1,1% A indústria acumula alta de 1,1% de janeiro a julho, puxada principalmente pela indústria extrativa, com o aumento da produção de petróleo e gás, e pelo setor de veículos automotores. O setor de petróleo vem sendo beneficiado por investimentos e pela retomada de projetos de exploração e produção de óleo e gás. Já a indústria automobilística tem sido favorecida por uma atividade econômica aquecida e medidas de estímulo à demanda, como a do programa Move Brasil, criado pelo governo para incentivar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativos. A indústria extrativa avançou 6,7% no período, enquanto a produção de veículos automotores cresceu 5,7%. Também tiveram desempenho positivo os segmentos de farmoquímicos e farmacêuticos (5,8%), bebidas (1,9%) e produtos alimentícios (0,4%). Estes últimos segmentos são mais ligados ao consumo, e a alta destes setores ocorre em um ambiente de atividade ainda relativamente pujante, sustentada sobretudo pelo mercado de trabalho, com emprego e renda em níveis favoráveis ao consumo.
Indústria volta a subir em julho, puxada por informática e petróleo, mas perde força em outros setores
Atividade avançou 0,2% após dois meses de queda, mas freio em bens intermediários, que tem peso relevante, limita resultado. No ano, setor acumula alta de 1,1%










