Bombardeios das forças americanas deixaram ao menos 12 mortos; Teerã disse que objetivo é expulsar americanos da vasta rede de bases militares estabelecida no Oriente Médio há décadas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 EUa e Irã trocam ataques após semanas de relativa desescalada de tensões — Foto: Reprodução/Centcom/X O Irã e seus vizinhos árabes voltaram a mergulhar na guerra nesta quarta-feira, após a maior troca de ataques entre Teerã e Washington desde julho. As forças americanas atingiram a costa sul do Irã, enquanto o país disparou contra bases dos Estados Unidos no Bahrein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque, declarando que o objetivo agora é expulsar os americanos da vasta rede de bases militares estabelecida no Oriente Médio há décadas. Os EUA ameaçaram realizar ataques ainda mais devastadores. O Irã acusou Washington de atingir uma festa de casamento, matando cinco pessoas e deixando dezenas de feridos. As bolsas da Ásia e da Europa caíram após a retomada dos ataques aéreos americanos, que levaram os preços do petróleo de volta a níveis não vistos desde julho, ampliando o impacto econômico de uma onda global de vendas de títulos à medida que as interrupções no fornecimento de energia alimentam a inflação em todo o mundo. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) afirmou que atingiu defesas aéreas, sistemas de radar, ativos marítimos, capacidades de colocação de minas e instalações de comunicação da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) na terça-feira. A mídia iraniana informou que vários alvos foram atingidos nas proximidades do Estreito de Ormuz — a estreita passagem marítima onde Teerã tem ameaçado petroleiros que tentam atravessar sem sua autorização. O comando militar do Irã respondeu dizendo que “o mal americano na região será enfrentado com respostas mais duras, mais amplas e devastadoras, e qualquer país que cooperar com o agressivo Exército americano deverá aceitar suas perigosas consequências”, afirmou o comando militar iraniano. As Forças Armadas da Jordânia disseram ter respondido a 13 mísseis, dos quais dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas. A Guarda Revolucionária afirmou ter matado um grande número de militares americanos na Jordânia, mas autoridades dos EUA disseram à Reuters que, segundo avaliações iniciais, não houve vítimas. No Kuwait, o Irã afirmou ter realizado um ataque com mísseis e drones contra a extensa Base Aérea Ali Al Salem, dos EUA, e ter atingido o alojamento de um comandante americano. O serviço de bombeiros do Kuwait afirmou que equipes apagaram um incêndio em um complexo residencial na madrugada desta quarta-feira após o local ser atingido por um drone iraniano, que causou danos, mas não deixou vítimas. O Catar, que abriga a maior base aérea americana no Golfo, afirmou que “considera a República Islâmica do Irã plenamente responsável, do ponto de vista jurídico, por esses ataques e por suas repercussões e consequências”. O Bahrein, que abriga o quartel-general regional da Marinha dos EUA, disse que drones iranianos foram interceptados e destruídos. A Guarda Revolucionária afirmou que suas forças terrestres realizaram ataques combinados com mísseis e drones contra bases americanas em Erbil, no norte do Iraque, alegando ter matado vários militares dos EUA no local. Nem o Iraque nem os Estados Unidos confirmaram o ataque. O Irã também afirmou que dois petroleiros foram atingidos por minas enquanto eram conduzidos através do Estreito de Ormuz por agentes americanos por um canal que Teerã afirma ter fechado. Motociclistas passam por um outdoor que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dentro de um recipiente de catering, no centro de Teerã, Irã, no sábado, 29 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Vahid Salemi Irã diz que casamento foi atingido O Irã informou pelo menos 12 mortes durante a noite de ataques americanos, incluindo cinco pessoas, entre elas uma criança de quatro anos, que teriam sido mortas enquanto participavam de uma festa de casamento em uma casa em Sirik, cidade localizada ao longo da costa do Estreito. A mídia iraniana afirmou que até 68 pessoas ficaram feridas no local e divulgou imagens de várias crianças feridas em um hospital. Autoridades iranianas compararam o episódio a um ataque contra uma escola para meninas que matou 160 pessoas na primeira noite da guerra. A Reuters não conseguiu verificar o incidente de forma independente, e autoridades americanas não comentaram o caso. Um vídeo gravado pela agência iraniana West Asia News Agency no suposto local do ataque mostrou escombros espalhados pelos cômodos e pelo pátio de uma casa. Um par de sandálias femininas de festa estava abandonado sobre um tapete ensanguentado. “Só fico aliviado que o número de vítimas não tenha sido ainda maior”, disse Ali Molahi, identificado como pai da noiva. Conflito desgasta os dois lados A troca de ataques foi a mais intensa desde julho, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu abruptamente duas semanas de intensos bombardeios contra o Irã após alertas de seus principais comandantes militares de que as forças americanas estavam consumindo seus estoques de munição e ficando sem alvos relevantes. A economia iraniana, castigada pela guerra, e a deterioração de suas forças convencionais deixaram o país sob forte pressão, enquanto Washington consumiu grande parte de seus estoques de munições de defesa aérea e utilizou uma parcela significativa de seus mísseis de precisão de longo alcance. Ainda assim, Trump, que ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu ao lançar a “Operação Fúria Épica” em fevereiro — encerrar o programa nuclear iraniano, retirar do país a capacidade de atacar seus vizinhos e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes —, voltou a declarar que a vitória estava próxima. “Gosto muito mais da nossa posição agora, com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles entrando em colapso completo”, disse ele na terça-feira. “Eles estão apenas adiando o inevitável. Quando o povo iraniano vai se levantar e lutar?” Uma vista aérea feita por drone mostra embarcações perto do Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã, em 28 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer é expulsar americanos da vasta rede de bases militares estabelecida no Oriente Médio há décadasTeerã, por sua vez, está determinado a impor uma derrota humilhante às forças americanas e sair da guerra mais forte do que antes, com o fim das sanções, a liberação de bilhões de dólares em recursos bloqueados e seu novo controle sobre Ormuz permitindo cobrar taxas dos navios que, antes da guerra, transportavam por ali um quinto do petróleo mundial. Trump concordou com muitas das exigências das autoridades iranianas em um acordo firmado em junho, mas o cessar-fogo ruiu poucas semanas depois em meio a divergências sobre o controle do estreito, e desde então não houve negociações entre os dois adversários.
EUA e Irã fazem maior troca de ataques desde julho
Bombardeios das forças americanas deixaram ao menos 12 mortos; Teerã disse que objetivo é expulsar americanos da vasta rede de bases militares estabelecida no Oriente Médio há décadas








