Dois meses antes da prisão de banqueiro, ministro do STF mudou a configuração de mensagens temporárias no WhatsApp 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante sessão plenária — Foto: Brenno Carvalho/O Globo Dois meses antes da primeira prisão de Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu mudar a configuração das mensagens temporárias nos chats privados mantidos com o dono do Banco Master. É o que aponta o relatório da Polícia Federal que se debruçou sobre o material extraído do celular do banqueiro, preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025 por decisão da Justiça Federal de Brasília. Exatamente dois meses antes da prisão, em 17 de setembro, Moraes alterou a configuração no WhatsApp, estabelecendo o prazo de 24 horas para a exclusão automática das mensagens trocadas com Vorcaro. O dono do banco Master foi detido por policiais federais no Aeroporto de Guarulhos sob a suspeita de estar tentando fugir do país. “Alexandre de Moraes usa uma duração padrão para mensagens temporárias em novas conversas. Todas as novas mensagens desaparecerão desta conversa após 24 horas”, diz um aviso do WhatsApp, conforme print do chat privado de Vorcaro com Moraes divulgado no relatório da PF. O documento foi tornado público nesta terça-feira (1) por decisão do relator do caso Master, André Mendonça. Conversa entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução O relatório da Polícia Federal produzido a pedido do ministro Mendonça demonstra que os dois trocaram mensagens durante meses e, dois dias antes da prisão, em 15 de novembro, Vorcaro pergunta ao ministro: ‘Acha que 2ª tenho que estar fora?’, numa aparente discussão a respeito de uma fuga. Neste momento, as mensagens de Moraes já estavam no modo temporário. Apesar de estar comprovado que ele respondia a Vorcaro, não se pode saber o que ele falou ou escreveu porque o ministro enviava imagens de visualização única. Rotina de encontros Naquele mês de setembro de 2025, o Banco Central havia contrariado os interesses de Vorcaro e decidido vetar no dia 3 a nebulosa compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Daniel Vorcaro é dono do Banco Master 1 de 9 O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso em 18/11 pela PF — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 2 de 9 O banqueiro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um avião particular para o exterior — Foto: Ana Paula Paiva/Valor X de 9 Publicidade 9 fotos 3 de 9 PF apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie durante operação que mira no Banco Master — Foto: Divulgação/PF 4 de 9 Itens de luxo apreendidos pela PF durante operação que prendeu dono do Banco Master — Foto: Divulgação/PF X de 9 Publicidade 5 de 9 Daniel cursou economia no Ibmec de Belo Horizonte, onde fez também um MBA em Finanças. — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 6 de 9 Em 2016, Daniel entrou no mercado quando o Banco Máxima, de Saul Sabbá, enfrentava dificuldades e foi oferecido a ele, — Foto: Maria Isabel Oliveira X de 9 Publicidade 7 de 9 Vorcaro viralizou nas redes sociais por organizar uma festa para sua filha com presença de artistas internacionaias — — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 8 de 9 O Banco Central efetuou a maior intervenção da história do país no conglomerado do Banco Master. — Foto: Maria Isabel Oliveira X de 9 Publicidade 9 de 9 Daniel namora a influenciadora digital Martha Graeff — Foto: Reprodução . À época, Vorcaro também já tinha recebido de um dos seus capangas, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, três procedimentos sigilosos que tramitavam sob sigilo no Ministério Público Federal – inclusive aquele que apurava irregularidades na compra do Master pelo BRB e que o levaria a ser detido por policiais federais antes de embarcar num jatinho no aeroporto internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025. As mensagens obtidas pela Polícia Federal no bojo das investigações do caso Banco Master ainda revelam que Vorcaro mantinha uma rotina de reuniões reservadas com Moraes. Capturas de telas Vorcaro tinha o hábito de se comunicar com Moraes compartilhando mensagens no WhatsApp por meio de capturas de telas de textos redigidos no banco de notas. A equipe de policiais federais, no entanto, utilizou um software forense que permitiu a análise dos vestígios digitais e o rastreio das mensagens, por meio do exame dos registros de abertura e fechamento dos aplicativos (como o WhatsApp e o bloco de notas), além do momento exato em que cada captura de tela foi realizada. “A exposição desse intervalo de tempo tem o objetivo de evidenciar que o número [usado por Moraes na época dos fatos], nos casos analisados, é o imediato destinatário a receber uma mensagem de VORCARO pouco tempo após momento da captura de tela”, frisa a PF. Conforme revelou o blog em março, na manhã do dia em que foi preso pela primeira vez, Vorcaro escreveu Alexandre de Moraes no WhatsApp: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse. Isso porque o que se segue são três mensagens de visualização única, do tipo que se apaga assim que o destinatário as lê. À época, o STF divulgou nota alegando que “as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes”. “Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, alegou o STF na época. “No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, disse o tribunal. O relatório da PF implodiu de uma vez por todas a versão de Moraes.