Antes de cada mensagem que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o dono do Banco Master sempre abria o bloco de notas, fazia um printscreen e salvava a imagem, de acordo com a Polícia Federal. Esse padrão foi o elo usado para reconstruir o diálogo na investigação que veio a público nesta terça-feira (1º).
Vorcaro teria perguntado, por exemplo, se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal no fim de novembro. Capturas de tela, arquivos PDFs temporários e o histórico de atividades no sistema do celular do ex-banqueiro permitiram que a PF chegasse a essa conclusão, embora as mensagens de visualização única do WhatsApp usadas na ocasião não deixem vestígios no próprio aplicativo.
Os novos trechos da apuração contra o Banco Master vieram a público por decisão do também ministro do STF André Mendonça. A Folha procurou Moraes nesta terça, e ele ainda não se manifestou.
A identificação das mensagens de Vorcaro a Moraes começou com a apreensão de um iPhone 17 Pro, durante a primeira prisão do então dono do Banco Master, em 18 de novembro de 2025.
A criptografia do aparelho, que tem acesso protegido por senha ou biometria facial, foi quebrada com o uso de um software israelense chamado Cellebrite. A ferramenta, de uso restrito às forças policiais quando há decisão judicial, dá acesso a dados ocultos do sistema de iPhones —e também de smartphones Android.












