Há alguns meses, hostes de apoiadores de Flávio Bolsonaro resolveram infernizar a vida da Anvisa devido a uma decisão técnica de limitar a comercialização do detergente Ypê por risco à saúde pública. Foram dias de campanhas em redes insuflada pela lógica conspiratória a mais irresponsável. Uma atitude que lembrou os piores momentos da pandemia.
O País contabilizou mais de 700 mil mortes por ter um governo negligente, anti-vacina e incapaz de operar com um mínimo de prudência diante da maior crise sanitária que o mundo conheceu em um século. Graças ao trabalho dedicado do governo Bolsonaro para semear o caos, o Brasil entrou para a história como a pior gestão sanitária da pandemia, tendo 3% da população mundial e algo em torno de 10% das vítimas.
No entanto, a campanha eleitoral começou, Bolsonaro filho é um candidato competitivo e atitudes como essa de seus apoiadores, nunca desautorizada pelo próprio, não foram até agora cobradas em entrevistas, falas, editoriais ou o que quer que seja. O fato faz lembrar a tese do historiador Johann Chapoutout sobre a ascensão do nazismo em um belo livro, Os irresponsáveis (Da Vinci, 2026). Ela consiste em lembrar o quanto o acordo de liberais e conservadores, com sua indiferença, sua naturalização do intolerável e alianças tácitas, foi fundamental para a ascensão fascista.








