Agrava-se a cada dia a crise desencadeada no Supremo Tribunal Federal pelo escândalo do Banco Master, sem que se vislumbre saída capaz de restabelecer a normalidade e evitar traumas prolongados —e o afastamento liminar do diretor da Polícia Federal pelo ministro André Mendonça é apenas o episódio mais recente.

Deplorável e alarmante, tal cenário põe à prova a conduta dos candidatos a governar o país nos próximos anos. Deles se espera, antes da capacidade de diálogo político e institucional, a compreensão de que os valores republicanos e a solidez das instituições estão acima das querelas eleitorais. É tudo o que não demonstra Flávio Bolsonaro (PL).

Em comício no Dia da Independência, o senador fluminense não se contentou em fustigar o ministro Alexandre de Moraes, que esteve à frente do processo que condenou corretamente seu pai por tentativa de golpe de Estado e hoje está no centro do escândalo político-financeiro.

Com oportunismo rasteiro, buscou transformar a crise em peça de ataque ao rival na corrida ao Planalto e presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —"Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes", discursou. Trata-se de irresponsabilidade e cinismo.

Irresponsabilidade porque fulaniza de modo leviano uma questão gravíssima. O petista e o ministro se associaram, até indevidamente, em temas como a defesa da regulação de conteúdos na internet. Entretanto não se sabe de nenhuma providência tomada ou proposta pelo governo em favor das tramoias do Master.