Na superfície, a mais recente pesquisa Datafolha trouxe poucas novidades para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que têm liderado as intenções de voto para presidente da República. Afinal, o desempenho de ambos ficou quase inalterado desde o levantamento anterior.

Quando se desce para a próxima camada, contudo, a repetição dos números aparece como uma tela cheia de significados e aberta às mais diversas interpretações —e não será estranho se muitas delas soarem contraditórias.

Tome-se a simulação de primeiro turno como exemplo. Do ponto de vista do senador Flávio, ostentar agora os mesmos 31 pontos registrados um mês atrás não deixa de ser uma boa notícia, mesmo que ele esteja dez pontos atrás de Lula (o presidente passou de 40 para 41, um movimento dentro da margem de erro).

É que, para o sucessor do ex-presidente Bolsonaro (PL), o que mais importava era estancar a hemorragia provocada pelas revelações chocantes acerca de seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principal nome do escândalo do Banco Master.

E isso ele parece ter conseguido, inclusive na hipótese de um segundo turno. No começo de maio, Flávio computava os mesmos 45 pontos de Lula; uma semana depois, o cenário mudou para 47 a 43 a favor do petista. Não soava despropositado imaginar que a distância aumentaria, mas isso não aconteceu: os números permaneceram iguais.