Congelamento dos dois principais candidatos estende-se aos demais, que não se mostraram capazes de avançar sobre o eleitorado do senador do PL — Foto: José Cruz/Agência Brasil O acúmulo de notícias negativas contra o pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não foi capaz de mover substancialmente as curvas da disputa presidencial no Datafolha. No segundo turno, único dado comparável com a rodada de junho dada a mudança na cartela de nomes do primeiro turno, cinco pontos separam a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador (48% x 43%). No mês passado a vantagem lulista era de quatro pontos. Flávio Bolsonaro se manteve imóvel e Lula subiu um ponto. Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada uma cartela de opções, o quadro está congelado (30% x 17%). O mesmo acontece com a rejeição — 48% rechaçam Flávio e 46%, Lula. O congelamento da disputa dos dois principais candidatos estende-se, por consequência, aos demais candidatos, que não se mostraram capazes de avançar sobre o eleitorado do candidato do PL. O resultado era aguardado pelos partidos para selar a rejeição a qualquer aliança com o senador do PL nas convenções partidárias que tiveram início no dia 20 e irão até 5 de agosto. O PP, em nome da federação com o União, já rejeitou antes mesmo antes de o Datafolha sair. Pesou pela “neutralidade” não apenas a base da federação no Nordeste, com forte pressão pró-Lula em contraposição àquela do Centro-Sul, mais bolsonarista, como a reeleição ao Senado do próprio presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), cujo Estado é amplamente lulista. A esperança de Flávio se restringe hoje a uma aliança com o Republicanos pelo desejo de colocar a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo do pai, como vice. A intenção esbarra na dificuldade de o senador, na condição de quem precisa do Republicanos, impor o nome do partido que gostaria para a vice. Esbarra ainda no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, estrela do partido e cujos aliados veem mais desgaste do que dividendo político advindo deste eventual apoio. Não é o Datafolha que vai mudar isso. O desgaste do pré-candidato do PL teve início com o tarifaço americano, anunciado no dia seguinte à sua visita à Casa Branca, ampliou-se com seu envolvimento no caso Master, aprofundou-se com o novo questionamento sobre as urnas eletrônicas e com a briga com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A reaproximação foi anunciada, mas ainda não se conhecem os contornos de sua participação na campanha do enteado. Michelle não é esperada na convenção do PL neste sábado em São Paulo. Suas aliadas aguardam o encontro de ambos na convenção do PL do Distrito Federal em 2 de agosto. Até lá, Michelle espera fechar as vagas para o Senado e Câmara do seu grupo político. No PT, onde as alianças deverão manter o contorno de 2022, com PSB, PDT, PcdoB e Psol, a maior preocupação é com a disseminação das expectativas em torno de uma eventual vitória no primeiro turno. A convenção do PDT aconteceu na segunda, com a presença de Lula, e a do PSB acontece na próxima quarta-feira, também com a presença do presidente. O temor é do efeito rebote da eventual frustração de expectativas. Este cenário de primeiro turno vinha sendo discutido internamente no partido, mas o próprio presidente da República se encarregou de vazá-lo durante a convenção do PDT. A rodada de julho do Datafolha não aumenta substancialmente as chances de uma vitória de Lula de primeiro turno. Por outro lado, a manutenção da competitividade de Flávio é recebida como uma boa notícia pela campanha lulista porque desencoraja a troca de Flávio por outro nome, capaz de ampliar as chances da oposição. Como a rejeição de Lula é alta, a expectativa é de que os resultados do seu governo possam puxá-lo pra cima. A avaliação do governo não se mexeu, o ruim e péssimo (38%) se mantém superior ao ótimo e bom (32%). O patamar dos que avaliam o governo como regular é de 28%. A aprovação do trabalho de Lula é que, pela primeira vez desde outubro do ano passado, superou a desaprovação, ainda que na margem de erro (49% x 48%).