Pesquisa mostrou estabilidade em relação ao mês de maio, quando caso 'Dark Horse' veio à tona; PL, agora, mira crise no PT Flávio Bolsonaro investe em discursos na área da segurança pública — Foto: Raul Luciano/AtoPress/Folhapress Apesar de a pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostrar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a vantagem sobre Flávio Bolsonaro, aliados do senador avaliam que a nova rodada deu fôlego à pré-campanha do pré-candidato do PL à Presidência da República para tentar virar a página do caso “Dark Horse” e retomar a ofensiva contra o governo petista. Leia mais: Com os cenários de primeiro e segundo turno estáveis, o entorno de Flávio sustenta que o desgaste perdeu força e que o centro da crise política se deslocou para o PT, após a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado. A aposta, agora, é explorar os desdobramentos do caso e intensificar a pauta da segurança pública, vista pelo bolsonarismo como uma das principais fragilidades da gestão petista. O Datafolha mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registrou 31%. Na rodada anterior, de maio, os percentuais foram praticamente os mesmos: 40% para Lula e 31% para Flávio. Já nas simulações de segundo turno, Lula apareceu com 47%, ante 43% de Flávio (mesmos resultados do mês passado). Votos em branco e nulos somaram 8%, e 1% não soube responder. A pesquisa de maio havia sido a primeira do Datafolha realizada integralmente após o episódio “Dark Horse”, em que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PT). O levantamento anterior mostrou queda nas intenções de voto do senador. Aliados de Flávio avaliam que a estabilidade dos percentuais, de maio para junho, sinaliza que o efeito do caso “Dark Horse” pode ter atingido seu limite e não deve trazer novos desgastes para a pré-campanha do bolsonarista. “Importante saber: a pesquisa foi feita entre quarta e quinta-feira, não pegou o efeito da operação contra o líder do governo do PT no Senado”, disse o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, sinalizando a estratégia bolsonarista de tentar jogar a crise do Master no colo do PT. O senador Jaques Wagner foi alvo de operação da PF na quinta-feira (18), último dia da coleta de dados do Datafolha. A avaliação do instituto é a de que a nova pesquisa captou apenas parcialmente os efeitos do episódio, potencialmente negativo para Lula. A avaliação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, no entanto, é de que a operação que arrastou o líder do governo e quadro histórico do PT, senador Jaques Wagner, para o escândalo do Banco Master não atingirá a campanha do presidente Lula à reeleição (leia mais em Lula acelera anúncios antes de restrições eleitorais). 'Radical da segurança pública' A retomada da ofensiva da pré-campanha de Flávio também se dá na pauta da segurança pública. O senador lançou, na semana passada, o plano “Brasil sem Medo”, um conjunto de medidas para a área, e tem concentrado esforços para se contrapor a Lula. “Vou ser radical na segurança pública sim”, disse no sábado, durante discurso no lançamento da pré-candidatura do deputado estadual André do Prado (PL) ao Senado por São Paulo. Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa, ficou com a vaga antes reservada pelo partido ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Flávio usou o ato para reforçar críticas ao governo federal principalmente nas áreas de segurança pública e economia. O evento também contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é pré-candidato à reeleição, e do deputado federal Guilherme Derrite (PP), o outro pré-candidato a senador na chapa. “Vamos virar a página de um governo que vai lá fora fazer lobby a favor do Comando Vermelho e do PCC. Nós vamos ter um governo para tratá-los como terroristas”, disse. Flávio tenta capitalizar o anúncio dos Estados Unidos de enquadrar as facções como organizações terroristas, feito poucos dias depois de ele ter visitado o presidente americano Donald Trump na Casa Branca, em Washington. Flávio declarou, durante o discurso, que vai abrir mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário “para prender narcoterroristas do Comando Vermelho, do PCC, de milícia e também o ladrão de celular”. “Eu vou dar o meu melhor e eu tenho certeza de que a esperança vai vencer o medo este ano”, disse. O mote sobre “esperança vencer o medo” foi usado por Lula na campanha presidencial de 2002, quando se elegeu pela primeira vez presidente da República.
Após Datafolha, aliados de Flávio Bolsonaro veem sinal de crise estancada
Pesquisa mostrou estabilidade em relação ao mês de maio, quando caso 'Dark Horse' veio à tona; PL, agora, mira crise no PT










