Os resultados da mais recente pesquisa Datafolha consolidaram o tombo que o candidato Flávio Bolsonaro levou de seu pangaré obscuro ao ser apanhado em flagrante a pedir dinheiro grosso ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar "Dark Horse", a cinebiografia de seu pai.

Por mais que se tente encarar as coisas com benevolência pelo lado do senador, sua situação piorou depois da conversa vazada com o dono do Master. A realidade é que Lula está dez pontos percentuais à frente na pesquisa estimulada. Na espontânea, em que os nomes dos presidenciáveis não são apresentados, Lula é citado por 30% e Flávio Bolsonaro, por 17%.

A sondagem de segundo turno, mais problemática, que pede ainda mais cautela, mostra o petista quatro pontos à frente de seu rival, que já o havia ultrapassado numericamente. Flávio também bate Lula em rejeição. Para piorar o ambiente, ele está aos tapas com Michelle, que foi a campo para bombardeá-lo.

Muita água, é verdade, ainda vai passar pela ponte. O senador Jaques Wagner, por exemplo, entrou para o clube Master, e em três meses tudo pode acontecer no reality Brasil. A esperança antipetista, então, é a última que morre.

Aqueles que fecham os olhos e suspiram com a ideia de um "cinturão de direita" no continente tentam considerar os fatos com o viés de suas expectativas. Porém, uma análise equilibrada do perfil, das aptidões e das características conhecidas de Flávio Bolsonaro concluiria pela imprevisibilidade e pela ausência de experiência, envergadura e requisitos mínimos para ocupar o posto mais alto da nação.