O recuo de quatro pontos percentuais em uma semana do senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de primeiro turno do Datafolha retrata a fotografia de um movimento em curso. De acordo com as informações iniciais divulgadas no jornal Folha de S.Paulo, o conhecimento do caso não é pleno: 64% dos entrevistados disseram ter recebido a informação do áudio em que o senador pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse". Ainda há espaço para novas quedas na intenção de voto do senador, a medida em que se propague a informação e que novos fatos venham à tona. Leia mais: Perda de quatro pontos em sete dias em uma pesquisa como o Datafolha não é trivial. Em março de 2002 a então presidenciável Roseana Sarney perdeu oito pontos percentuais em 18 dias de exposição ao escândalo Lunus, ocasião em que a Polícia Federal encontrou e filmou dinheiro vivo em um escritório de uma empresa dela e do marido, Jorge Murad. Roseana desistiria da candidatura pouco tempo depois. O que amortece o impacto deste recuo - e faz com que o senador ainda seja competitivo - é o fato de nada se mover dentro da oposição. Não houve ganhos nem para Ronaldo Caiado (PSD), nem para Romeu Zema (Novo) e nem mesmo para Renan Santos (Missão), o mais "outsider" dos presidenciáveis. A ausência de reação de Zema particularmente chama a atenção, já que ele ganhou exposição com seu embate contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi o primeiro presidenciável a criticar Flávio, antes mesmo de Lula. Os votos perdidos de Flávio Bolsonaro, eminentemente antipetistas, não estão indo para ninguém, ao menos por enquanto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oscilou dois pontos para cima, em um movimento que não quebra a estabilidade. Lula bateu em um teto. Na rodada de março do Datafolha sua intenção de voto era de 39%, apenas um ponto percentual menor que a atual. Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro o senador recuou apenas dois pontos percentuais, de 45% para 43%. A direita está menos competitiva contra Lula do que antes do escândalo "Dark Horse", sem que o presidente tenha se tornado um claro favorito, o que joga a eleição em uma zona de incerteza.