A pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira mostra como o eleitorado brasileiro tem reagido a crises, escândalos, tensões e medidas econômicas recentes, a cerca de quatro meses do pleito de outubro. No cenário geral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente no primeiro turno, com percentual estável desde a sondagem de maio, mas Flávio Bolsonaro (PL) recua de 33% a 29%, ante as notícias de seu elo com o banqueiro Daniel Vorcaro e o governo de Donald Trump. Além disso, o petista lidera todos os embates diretos de segundo turno testados. O novo levantamento é o sexto do ano para as eleições de outubro — e o primeiro após as revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, a aprovação o fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados, a visita de Flávio a Donald Trump e o novo tarifaço do governo dos Estados Unidos. A pesquisa aponta que 47% dos brasileiros entende que o senador Flávio Bolsonaro (PL) influenciou o presidente dos Estados Unidos Donald Trump na decisão de classificar o Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida ocorreu dois dias após a visita do pré-candidato à Presidência à Casa Branca, quando relatou ter apresentado o pleito ao norte-americano. Por outro lado, 37% da população avalia que o senador não teve influência na decisão de Trump. Já 16% não sabem ou não responderam. A decisão dos EUA ocorreu após uma atuação, por meses, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a medida. Enquanto 60% destacaram que PCC e CV deveriam ser consideradas terroristas também pelo governo brasileiro, 53% afirmaram temer que as punições impostas pelo governo americano prejudiquem bancos e empresas brasileiras. Novo tarifaço O novo tarifaço imposto pelo governo americano aos produtos brasileiros também está associado a Flávio Bolsonaro, como destacou a coluna de Míriam Leitão. A maior parte dos entrevistados, 47%, concorda com Lula quando ele diz que Flávio Bolsonaro teria pedido as novas tarifas, contra 35% que concordam com a declaração do candidato do PL de que teria pedido a Trump para não tarifar os produtos brasileiros. Além disso, para 46%, Lula está certo ao afirmar que as novas tarifas são uma retaliação ao sistema de pagamentos Pix, e 36% apoiam Flávio na afirmação de que a medida é resposta a declarações do petista contra os Estados Unidos. Para 47% dos eleitores, Lula representa melhor o espírito patriota brasileiro. Nesse quesito, Flávio Bolsonaro aparece com 37%. Elo entre Flávio e Vorcaro A sondagem mostra que quase dois terços dos brasileiros (65%) consideram que Flávio Bolsonaro (PL) errou e devia ter evitado pedir financiamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso sob acusação de fraude bilionária, para o filme "Dark Horse", sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 17% avaliaram que o pré-candidato à Presidência acertou e que o pedido "não tem nada de mais" e 18%, não souberam ou não responderam. O levantamento mostra ainda que, para seis em cada dez entrevistados (60%), as conversas divulgadas entre Flávio e Vorcaro "levantam suspeitas" — e 58% apontaram que o senador "pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso do Banco Master". Já para 19%, as tratativas foram "normais", e 27% disseram acreditar que Flávio não está envolvido. Nas duas perguntas, 21% e 15% não souberam ou não responderam, respectivamente. A percepção de que Flávio "errou" foi majoritária entre lulistas (76%), esquerdistas não lulistas (87%), independentes (67%) e direitistas não bolsonaristas (53%). Entre os bolsonaristas, houve empate entre quem considerou que o pré-candidato devia ter evitado pedir financiamento e quem não viu nada de mais na negociação: 42%. A pesquisa aponta o impacto negativo da divulgação do elo de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro na percepção do eleitorado e também o potencial para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explorar essa relação: apenas 55% dos brasileiros afirmaram que já sabiam das conversas e negociações entre o filho do ex-presidente e o banqueiro hoje preso. Isto é, 44% não sabiam e 1% não souberam ou não responderam. Para 6%, tudo isso aumentou a vontade de escolhê-lo nas urnas. Por outro lado, a sondagem mostra que, para metade do eleitorado (50%), as notícias sobre Flávio e Vorcaro não afetam sua intenção de voto no senador: disseram que essa intenção "continua igual, já que não votaria nele". E 26% afirmaram que continua igual, porque ainda votariam no nome do PL. O percentual de pessoas que atribuíram às revelações uma diminuição da intenção de voto em Flávio foi de 12%, e 6% não souberam/não responderam. Caso Master A nova Genial/Quaest mostra ainda que um terço do eleitorado (33%) não sabia, quando foi questionado, sobre o escândalo do Banco Master. Menos da metade (42%) afirmou estar bem informado sobre o caso, e um quarto (25%) até sabia, mas não se considerava bem informado. Os dados apontam que, para 16%, a família Bolsonaro sofreu mais efeitos negativos pela divulgação do escândalo — num avanço de sete pontos percentuais ante os 9% da pesquisa de maio — enquanto 10% citaram o governo Lula. No levantamento mais recente, 7% mencionaram STF/Judiciário; 4%, o Banco Central; e 2%, o Congresso Nacional. Nessa pergunta, a maior parte (44%) respondeu "todos eles". Aprovação do governo Lula A pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira mostra que a aprovação do terceiro mandato do presidente Lula , até o momento, pouco foi afetada após quatro fatos relevantes no cenário político: as revelações sobre a relação de Flávio com Vorcaro, a visita do pré-candidato do PL a Donald Trump, a aprovação o fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados e o novo tarifaço do governo dos Estados Unidos. O cenário é de estabilidade em relação à sondagem de maio. Na última divulgação, em maio, o percentual de desaprovação atingiu 49%, após chegar a 52% em abril, maior taxa até então desde setembro de 2025. Desta vez, recuou dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. A aprovação atual do governo, por sua vez, é de 47%, enquanto no mês passado era de 46%. Outros 5% não responderam. A pesquisa de maio mostrou oscilações que levaram a desaprovação do governo a voltar a empatar com a aprovação, em um cenário favorável a Lula. O levantamento indicou, na ocasião, que a melhora na percepção da atual gestão também foi puxada pelo anúncio do Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas, e pelo encontro entre o petista e o presidente americano Donald Trump na semana anterior à divulgação. A nova sondagem mostra que o petista teve melhora perceptível entre os eleitores independentes, aqueles que não se identificam com a esquerda nem com a direita (a aprovação passou de 32% em abril a atuais 41%, enquanto a desaprovação caiu de 58% a 47% em dois meses). Também avançou fora da margem de erro entre os mais pobres, os evangélicos e os mais jovens. O levantamento mais recente mostra que a avaliação negativa do governo Lula marcou 38%, numa leve oscilação ante os 39% de maio. O percentual positivo se manteve estável: 34%. Os que consideram a gestão regular hoje são 26% — na pesquisa anterior, eram 25%. A Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais entre os dias 5 e 8 de junho. Foram ouvidos brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erros é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi protocolada junta à Justiça Eleitoral sob número BR-07661/2026.
Caso Master, Pix e tarifaço: pesquisa capta como a população avalia a atuação de Flávio e Lula no último bimestre
Novo levantamento é o sexto do ano para as eleições de outubro e aponta avanço da aprovação do governo e impactos negativos para senador por elo com banqueiro preso













