Abimaq atribuiu a revisão à Selic e ao aumento da participação de importados chineses no mercado doméstico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O setor de máquinas e equipamentos ajustou a projeção de queda da receita líquida total deste ano de 3,2% para 8,4%. A Abimaq, entidade que representa os fabricantes, atribuiu a revisão à taxa básica de juros, a Selic, e ao aumento da participação de importados chineses no mercado doméstico. A entidade também elevou a projeção de queda da receita do mercado doméstico, de 3,6% para 7,7%, e revisou de alta de 6,4% nas exportações em dólar para queda de 1,1% neste ano. Em entrevista coletiva com jornalistas, a Abimaq afirmou que a Selic continua em patamar elevado, o que desestimula investimentos em novas compras no setor. “O mercado [doméstico] está caindo e os chineses estão entrando. Uma pá eólica que vem da China não paga a matéria prima de uma pá eólica que é feita no Brasil, por exemplo. Está muito difícil competir com os chineses”, disse José Velloso, presidente da entidade. “O cenário está piorando bastante. Com juros muito elevados, a máquina fica muito mais cara [para comprar e pagar].” China impulsiona importados Segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pela Abimaq, as máquinas importadas ampliaram sua participação e passaram a representar 47,4% do consumo nacional no acumulado de janeiro a julho, alta de 1,7 ponto percentual frente ao ano anterior, movimento impulsionado pela China. No Brasil, vendas daquele país cresceram 16,9% no período e passaram a responder por 36,2% do que o país importa enquanto em outras origens de importações recuaram 2,6%. “A [importação da] China vem crescendo de forma sustentada, o que é um desafio para todo o setor”, disse Leonardo Silva, coordenador de economia e estatística da Abimaq. Ao todo, as importações do setor somaram US$ 2,95 bilhões em julho, alta de 2,1% na comparação anual e de 3,3% ante junho. No acumulado do ano até julho, somaram US$ 19,22 bilhões, avanço de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Exportações Enquanto crescem as importações, as exportações do setor somaram US$ 1,13 bilhão em julho, queda de 10,9% na comparação anual, embora represente alta de 4,2% ante junho. No acumulado de janeiro a julho, as vendas externas totalizaram US$ 7,63 bilhões, um avanço de 8,4% impulsionado por setores como componentes e infraestrutura. Contudo, a entidade disse que parte desse avanço é explicado pela “baixa base de comparação” do início do ano passado, quando houve enfraquecimento da atividade industrial americana. O principal mercado no exterior no acumulado de janeiro a julho foi a América do Sul, que recebeu US$ 2,56 bilhões em máquinas brasileiras, seguida pela América do Norte (US$ 2,41 bilhões) e Europa (US$ 998 milhões). Os demais mercados somaram US$ 1,66 bilhão no período. Desempenho do setor O setor somou R$ 24,4 bilhões em receita líquida em julho, queda de 8,9% na comparação com julho de 2025 e alta de 0,7% ante junho na métrica que filtra oscilações. No acumulado de janeiro a julho, a receita totalizou R$ 154,5 bilhões, recuo de 12,9%. A receita interna somou R$ 18,7 bilhões em julho e caiu 5,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, embora tenha registrado alta de 6,3% ante junho na métrica dessazonalizada. No acumulado do ano, somou R$ 115,2 bilhões, queda de 15,3% na base anual. Já o consumo aparente somou R$ 34,6 bilhões em julho, recuo de 5,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Com o resultado, o indicador encerrou o acumulado de janeiro a julho com queda acumulada de 12,5%. José Velloso, da Abimaq — Foto: Gabriel Reis/Valor
Indústria de máquinas revisa projeção de queda de 3,2% para 8,4% em 2026
Abimaq atribuiu a revisão à Selic e ao aumento da participação de importados chineses no mercado doméstico






