Um outeiro na zona rural de Salgueiro, sertão de Pernambuco, abriga uma igrejinha branca em meio a um descampado quase deserto, entre mandacarus e rebanhos de cabras que andam soltas. A comunidade fica em uma região remota onde só é possível chegar por estradas de terra.
Romualdo Vasconcelos, 54, destranca o cadeado e abre o portão de casa com um ar desconfiado. O cachorro Lampião faz festa, com uma mansidão que não faz jus ao nome herdado do mais notório dos cangaceiros.
Mesmo morando em uma área isolada de um pequeno povoado, Romualdo vive atemorizado com as notícias que ouve sobre o avanço da violência. "Quando eu saio daqui para a cidade, já vou pensando que pode acontecer um assalto. Eu não ando com celular, não ando com nada. Tenho medo", afirma.
Salgueiro está longe de ser uma das cidades mais violentas de Pernambuco. No primeiro semestre de 2026, foram três mortes violentas no município de 62 mil habitantes. Mas parte da população convive com uma sensação permanente de insegurança.
O Nordeste concentra 46 organizações criminosas identificadas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, o maior número entre as cinco regiões do país. Entre elas estão grupos de alcance nacional, como o paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), e os fluminenses Comando Vermelho e TCP (Terceiro Comando Puro), que estabeleceram alianças e disputas com organizações locais.











