Em outubro de 2025, Santa Quitéria, cidade de 43 mil habitantes no interior do Ceará, votou sob escolta do Exército. Não havia guerra nem catástrofe natural, mas uma eleição suplementar convocada após a Justiça descobrir que o prefeito e o vice haviam sido eleitos, um ano antes, com ajuda do Comando Vermelho. Pichações ameaçavam de morte quem apoiasse o adversário, mensagens prometiam expulsar da cidade quem não votasse “certo” e um carro de luxo comprado em Fortaleza foi levado à Rocinha, no Rio, como agradecimento a um traficante nascido ali.
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará chamou o caso de o mais grave já julgado em sua história. Mas não é um episódio isolado. De Belford Roxo (RJ) a Cotia (SP), repetem-se casos de influência de organizações criminosas sobre a política: um vereador que chefiava uma milícia foi barrado pelo TSE mesmo sem condenação; um candidato a deputado estadual foi preso por operar lavagem de dinheiro do PCC; e vereadores de três cidades paulistas foram presos, suspeitos de fraudar licitações a mando da facção. Juntos, esses episódios mostram como dominar um território passou a significar não apenas controlar o tráfico ou cobrar propina, mas eleger pessoas.








