Estradas de terra cercadas pela vegetação da caatinga serpenteiam as pequenas povoações na zona rural de Salgueiro, cidade de 60 mil habitantes do sertão central de Pernambuco. Uma delas leva até a comunidade quilombola Jurema, onde não há um núcleo urbano e as casas ficam distantes uma da outra.

Ali, em uma casa de alvenaria ventilada, cuja frente abriga um alpendre com redes de descanso, vive a aposentada Angelita Alzira dos Santos. Aos 69 anos, ela segue com as mãos na enxada e trabalhando na terra, onde cultiva milho e feijão.

A agricultora quilombola Angelita Alzira dos Santos, 69, que vive na comunidade Jurema, em Salgueiro (PE) - Lalo de Almeida/Folhapress

A safra deste ano não foi lá muito boa. As espigas de milho brotaram murchas, mas o feijão rendeu duas sacas e meia, que ela pacientemente transferiu para garrafas de refrigerantes vazias. Mas a dificuldade não abalou em um centímetro o otimismo quase inato com que lida com a vida.

Como vê a situação do Brasil? "Por enquanto, eu não sei dizer nada não, mas creio que não está piorando. Eu estou achando ainda bom. O governo Lula, acho que foi a melhor coisa que Deus mandou."