Votação em comissão mista do Congresso foi adiada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Agência dos Correios — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo Parlamentares discutem a possibilidade de obrigar empresas beneficiadas pelo fim da chamada "taxa das blusinhas” (a cobrança de 20% sobre compras internacionais de US$ 50) a transportarem encomendas pelos Correios, numa tentativa de dar uma sobrevida à estatal, que tem registrado prejuízos recordes nos últimos meses O governo se manifestou contra a mudança. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse em nota que "condicionar a isenção à utilização da estatal poderia restringir o benefício e encarecer as compras para os consumidores". A discussão em torno do tema, entre os outros assuntos, levou o Congresso a adiar a votação da proposta para a quarta-feira. De acordo com o balanço divulgado pelos Correios no fim de semana, as receitas com encomendas internacionais tiveram queda 56,4% no primeiro semestre de 2026 em relação a igual período do ano, passando de R$ 815,2 milhões para R$ 354,8 milhões. No período, o prejuízo da estatal saltou para R$ 5,5 bilhões. Em nota, os Correios disseram que não tiveram participação ou proposição sobre a MP e que a empresa segue atuando com base em seu plano de reestruturação. Avaliação periódica dos efeitos Além disso, o relatório da MP deverá propor medidas de compensação, caso fique comprovado que o fim da "taxa das blusinhas" tenha impacto negativo em cinco segmentos da economia: têxtil e vestuário, brinquedos, calçados e acessórios. O Ministério da Fazenda terá que fazer avaliação do período nos primeiros três após a vigência da medida e depois disso, a cada 6 meses. A MP precisa ser apreciada também nos plenários da Câmara e do Senado até o próximo dia 8, caso contrário ela perderá a validade —provocando prejuízo eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse tema dividiu o Palácio do Planalto em 2024, opondo de um lado o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira. Diante da avaliação que a cobrança estava desgastando Lula eleitoralmente, o governo editou a MP acabando com essa taxa. A medida, no entanto, encontra resistências entre setores produtivos, principalmente o varejista. A MP é considerada uma medida popular que poderá ajudar o petista na corrida eleitoral. Essa foi uma das prioridades levadas pelo presidente ao almoço com Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na semana passada. Ao terminar o almoço, Alcolumbre afirmou em pronunciamento à imprensa que a MP “não vai caducar”. — Ela (a MP) precisa será deliberada na comissão no plenário da Câmara e do Senado. Eu faço o compromisso com o senhor (dirigindo-se a Lula) e com o Brasil e brasileiros que precisam dessa matéria em vigência, que, na semana que vem, no tempo curto de esforço concentrado, no meio do processo eleitoral, vamos deliberar para o senhor sancionar essa lei — disse Alcolumbre, ao lado de Lula e de Motta. — Essa MP não vai caducar. Motta e Alcolumbre deverão ter conversas informais com parlamentares e líderes para fechar um acordo em torno do texto. Está prevista uma conversa entre o presidente da comissão mista, Reginaldo Lopes (PT-MG), e a senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da medida, com Alcolumbre e Motta nesta terça-feira. No dia anterior, os parlamentares tiveram uma reunião com integrantes do governo no Palácio do Planalto. Na saída, Lopes afirmou que o fim dessa cobrança terá uma revisão periódica de impactos à indústria. Os políticos afirmaram que o texto vai propor que efeitos da mudança sejam avaliados, inicialmente, a cada três meses e depois a cada seis meses. Caberá ao governo apresentar alternativas para diminuir os reflexos dessa medida junto à indústria brasileira. Essa semana de votações no Congresso é a última antes das eleições, fazendo com que a tramitação da agenda prioritária do governo se torne fundamental. O Executivo também quer aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da jornada de trabalho 6x1, a PEC da Segurança, o projeto dos minerais críticos e o do Redata, de incentivo a datacenters. Caso a MP do fim da taxa das blusinhas seja aprovada na comissão mista, ela precisa ser chancelada nos plenários da Câmara e do Senado antes de seguir para sanção presidencial.