Dono do Banco Master teria pedido proteção do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão plenária — Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que contém mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro pedindo a "proteção de Andrei e Paulo", em suposta referência ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A suspeita dos investigadores é a de que o interlocutor das mensagens seja o ministro da Corte Alexandre de Moraes. A informação foi revelada pela colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, e confirmada pelo Valor. Leia mais: O relatório, que teve o sigilo retirado por Mendonça, detalha mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master. Inicialmente, não teria sido possível identificar o destinatário das comunicações, nem se elas haviam sido de fato enviadas, porque o texto era escrito em um bloco de notas do celular e enviado como mensagem de visualização única ao interlocutor. Durante as apurações, no entanto, a PF identificou que as mensagens foram enviadas pelo WhatsApp a um contato de Vorcaro atribuído a Moraes. A mensagem teria sido escrita em 30 de outubro. Nela, o ex-banqueiro escreve que teve "informações informais e em confidência de turma do banco central, que G e os diretores estão na pressão máxima de novo pra uma medida, pois o bacen está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq [qualquer] coisa, só não pode ter sacanagem". A PF também detalha outras mensagens no WhatsApp de Vorcaro por meio de interlocutores que citam tanto Andrei quanto Gonet. A corporação afirma que não encontrou os contatos de nenhum dos dois salvo no celular do ex-banqueiro ou conversas diretas entre eles. Em relação a Gonet, a PF identificou conversas com o então advogado do dono do Master, Ciro Soares, que encaminhava mensagens do chefe da PGR a Vorcaro em março de 2025. As mensagens falam sobre a ida de Gonet a um evento em Londres. Mensagens trocadas com o ex-ministro de Jair Bolsonaro Fabio Faria e Marcio Chaer citam o chefe da PF, também para acertar detalhes da ida de Andrei ao evento em Londres. Agora, o caso está nas mãos de Gonet para se manifestar. O Valor procurou o gabinete do ministro por meio da assessoria de imprensa do STF, a defesa de Daniel Vorcaro e também a assessoria da PGR para perguntar se eles gostariam de se manifestar, mas não houve uma resposta até a publicação desta reportagem. Entenda Vorcaro é investigado por organizar um esquema de fraudes financeiras no Master. Ele foi preso duas vezes durante fases da Operação Compliance Zero, uma em novembro de 2025 e a outra em março de 2026. Desde então, ele está detido em Brasília. O ex-banqueiro tentou fechar um acordo de colaboração premiada com a PF e a PGR, que foi rejeitado pelas autoridades, que consideraram o conteúdo apresentado insuficiente diante das informações que as investigações já haviam levantado ao longo de dez fases de operações. Além de Vorcaro, também foram presos o cunhado, o pai e o primo do ex-banqueiro, todos suspeitos de participar do esquema organizado por ele. Na última sexta-feira (28), o ex-banqueiro prestou depoimento à PF no inquérito que investiga a atuação de servidores afastados do Banco Central suspeitos de terem atendido aos interesses do Master enquanto fiscalizavam o banco mediante o pagamento de propina. Como mostrou o Valor, no depoimento, Vorcaro negou ter havido corrupção envolvendo os dois e sinalizou que teria informações sobre corrupção envolvendo outros dirigentes do alto escalão da autarquia, mas que só falaria no contexto de uma colaboração premiada.