Candidato do Missão se aproxima de Javier Milei e Nayib Bukele, ao tratar a economia e segurança como pautas centrais da sua campanha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Renan Santos, candidato à presidência da República pelo Partido Missão — Foto: REUTERS/Adriano Machado Renan Santos (Missão) é "extremamente autoconfiante", mas que, "apesar de toda a sua fanfarronice, não é um charlatão", define a The Economist em uma reportagem publicada nesta segunda-feira (31). Para a revista britânica, o estreante da política brasileira se aproxima de líderes como Javier Milei e Nayib Bukele, ao tratar a economia e segurança como pautas centrais da sua campanha, ao mesmo tempo em que oferece para a direita brasileira uma alternativa ao bolsonarismo. "Aos 42 anos, Santos concorre à presidência do Brasil com uma plataforma técnica e detalhada que delineia uma visão ousada para o país. A ascensão de Santos guarda paralelos com a de Javier Milei, o presidente incendiário da Argentina. Assim como Milei, ele é obcecado pela economia de livre mercado." Em entrevista à The Economist, Santos afirma que o MBL foi levado a repensar suas ideias pelo "fracasso de uma forma infantil de liberalismo econômico" influenciada por libertários americanos, diz ele. "É ingenuidade pensar que, se você retirar o Estado de todas as atividades e privatizar tudo, as coisas se resolverão sozinhas. O Estado deve estar presente em muitas áreas, especialmente em um país como o Brasil", diz o candidato ao se referir as desigualdades brasileiras. O partido acredita, segundo a The Economist, que empresas como a Petrobras não devem ser privatizadas, mas que a influência do governo deve ser reduzida, no que é classificado por Kim Kataguiri, responsável pelas propostas econômicas do partido, como "liberalismo pragmático e não dogmático." A revista também comenta sobre a participação de Santos na criação do Movimento Brasil Livre (MBL) e do partido Missão, que teria um "projeto focado tanto na revolução cultural quanto no poder político", coordenado a partir de um escritório que "lembra mais uma startup do que uma sede partidária" com um "um estúdio para gravar vídeos dinâmicos destinados aos 4 milhões de seguidores do movimento na internet." "O foco na mídia é uma resposta ao 'wokeísmo', diz o Santos. A ascensão da cultura do cancelamento 'exigia respostas que o liberalismo clássico não tinha a oferecer', explica ele. Muitos millennials como ele, diz Santos, passaram de apoiadores do casamento gay e da legalização das drogas a serem 'rotulados como fascistas por não quererem usar certos pronomes ou por se esperar que aceitem que uma criança pode mudar de gênero'. Mas a batalha cultural 'não é a nossa identidade central'. Santos distancia o MBL do movimento MAGA, de Donald Trump." Ao descrever o plano de governo proposto pelo Missão, a The Economist destaca que, "quando o assunto é segurança, o populismo se sobrepõe ao liberalismo", ao mencionar os elogios de Santos a Nayib Bukele, o líder de El Salvador, que reduziu a criminalidade ao encarcerar 2% da população adulta do país. "Santos afirma ser 'Bukele no estilo, Milei na essência'. Ele promete decretar estados de emergência e permitir um 'banho de sangue' contra as facções criminosas. O Livro Amarelo exalta a 'doutrina do inimigo', uma teoria jurídica pouco conhecida que argumenta que criminosos não merecem direitos civis. Na prática, ela poderia ser facilmente utilizada de forma abusiva por um Executivo empenhado em reprimir seus adversários políticos", escreve a The Economist. A revista aponta que o candidato vem conquistando apoiadores desiludidos com a candidatura de Flávio Bolsonaro. "Santos critica a família Bolsonaro, classificando-a como intelectualmente medíocre e corrupta." Já com o eleitorado feminino, a The Economista acredita que o candidato terá dificuldade em conquistar esse público, após ele já ter elogiado blogueiros da "manosfera" e ser aliado próximo de Arthur do Val, que disse que refugiadas ucranianas eram "fáceis porque são pobres" em uma viagem que os dois fizeram à Ucrânia em 2022. "A maioria dos brasileiros ainda não ouviu falar do Santos. Ele espera que o período de campanha, iniciado em 16 de agosto, mude isso. No entanto, a profunda polarização política do Brasil e o poder das máquinas políticas dos partidos tradicionais dificultam a conquista de votos para candidatos de fora do sistema, como ele. Mas, mesmo que o Santos não vença desta vez, ele ofereceu à direita brasileira algo extremamente valioso: uma alternativa ao bolsonarismo."