Candidato a presidente do Missão participou de sabatina do g1 e GloboNews nesta quarta-feira (5) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Renan Santos (Missão) participa de sabatina do g1 e da GloboNews — Foto: Divulgação/TV Globo O ativista de direita e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) Renan Santos, pré-candidato à presidente da República pelo Missão, foi o primeiro a participar das sabatinas de g1 e GloboNews, nesta quarta-feira (5). Em terceiro lugar nas pesquisas e com a meta de desbancar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Lula (PT), ele prometeu não ficar de "discurso de molecagem" na eleição presidencial e detalhou propostas econômicas e para a segurança pública. Renan admitiu que, caso seja eleito, terá que negociar a aprovação de projetos e indicações aos ministérios com partidos do chamado "Centrão", que classifica como corruptos. — A rota nossa é de colisão fiscal. O carrapato sabe que o boi não pode morrer, e eles sabem que, em alguma medida, reformas vão ter que passar. Tenho certeza que não dá para governar sem o Centrão, mas você não vai ver um discurso de molecagem. Eu terei que negociar com eles, compor o governo, mas vou estabelecer regras. O eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos. Como eu sou um democrata, vou ter que compor, mas não com bandido, o que eu não farei são negociações não republicanas. O candidato também justificou a frase dita em evento do partido, no dia 1º de agosto, de que seu governo vai "matar quem roubar" e procurou se distanciar de alguns métodos empregados por Nayib Bukele, presidente de El Salvador e sua principal referência na área de segurança pública. O político salvadorenho é acusado de violações de direitos humanos e de estabelecer um governo autoritário por organismos internacionais. — Todo mundo fica inseguro de andar em São Paulo pelo assalto à mão armada. Hoje, o policial no Brasil tem a possibilidade de legítima defesa de terceiros, de tentar um tiro não letal, se acontecer de ser letal, aconteceu. O que eu estou avisado é que o approach da presidência da República tem que ser de que o bandido será tratado como bandido, e o cidadão como cidadão. O uso da força nesse caso deve ser apoiado pelo estado, mas não significa que o abuso tem que ser acobertado. Em outro momento, descartou tomar medidas inconstitucionais caso tenha decisões desfavoráveis pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo. — Não vou atropelar nada, vou fazer o estrito cumprimento da lei. Não sou o Bukele, e sou brasileiro, meu nome é Renan Santos, não sou neto de palestinos, eu tenho outra família, nasci na Mooca, moro no Brasil e vou criar políticas de segurança muito duras para destruir o crime no contexto brasileiro. Não é uma regra de três. Você pode ter políticas de segurança sérias e ser um democrata. Renan alegou que não há propostas de combate à violência contra a mulher em seu plano de governo porque estaria inserido em um "sistema de metas" pelo qual os gestores estaduais e municipais seriam avaliados para repasses financeiros da União. E acusou o adversário Flávio Bolsonaro de fazer "proselitismo" com a pauta. — Eu me preocupo, mas não vou ficar fazendo proselitismo vagabundo. Acho que é urgente o tema do enfrentamento à violência contra a mulher, sim. As principais políticas estão sendo tocadas por municípios e estados, com as polícias e as guardas civis. A política que está sendo tocada em São Paulo vai ser o padrão da métrica geral para a lei de responsabilidade gerencial. Renan aparece com 4% das intenções de voto na pesquisa divulgada hoje pela Genial/Quaest, empatado tecnicamente com Ronaldo Caiado (PSD), 4%; Romeu Zema (Novo), 2%; Cabo Daciolo (Mobiliza), 1%; Augusto Cury (Avante), 1%; e Samara Martins (UP), 1%. Lula, com 40%, e Flávio, com 30%, lideram a disputa e se enfrentam em uma segunda rodada se as eleições fossem realizadas neste momento. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Sem tempo de propaganda gratuita em rádio e TV, o Missão aposta no ambiente digital como principal meio para difundir suas ideias. Ex-estudante de Direito da USP, ele abandonou o curso, esteve filiado ao PSDB entre 2010 e 2015 e ganhou notoriedade ao organizar manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2018, o MBL apoiou Jair Bolsonaro, mas depois rompeu com o ex-presidente. Formado por um público majoritariamente jovem e masculino, o MBL adotou a tática do barulho nas redes sociais para impulsionar seu alcance e se manter em evidência. Paródias, memes, dancinhas e vídeos gravados de surpresa para constranger adversários compuseram o caldo midiático do movimento. A estratégia de Renan agora é transmitir ares de maturidade, investindo pesado em conteúdo nas redes sociais e participando de debates e entrevistas para reduzir o nível de desconhecimento pelo eleitorado. Ao longo da pré-campanha, o candidato tentou se aproximar da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, fez lives na internet e até conciliou sua atuação política com shows da sua banda formada ainda pelo ex-deputado estadual Arthur do Val. Renan procurou ainda se associar a dois símbolos da ultradireita: os presidentes da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele. Do primeiro, admira o discurso de austeridade e a adoção do “sincericídio” na pauta fiscal. Do segundo, destaca o combate a facções criminosas. As sabatinas de g1 e GloboNews são conduzidas pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, com 1h30 de duração. Lula foi o primeiro convidado, mas decidiu não comparecer. Os próximos serão Zema, nesta quinta (6), e Caiado, na sexta (7), sempre às 14h. Flávio ainda não confirmou presença, mas tem horário reservado no sábado (8). A ordem das entrevistas foi decidida por sorteio.