Pré-candidato do Missão é desconhecido por 77%, segundo pesquisa Genial/Quaest; plano é concluir roteiro de 100 cidades nesta semana Santos: pré-candidato defenderá agenda liberal e desindexação dos benefícios previdenciários do salário mínimo — Foto: Divulgação/Partido Missão Renan Santos, pré-candidato do Missão à Presidência da República, pretende concluir ainda nesta semana um roteiro por 100 cidades pequenas no interior do país. A estratégia busca ampliar seu nível de conhecimento entre eleitores fora do perfil em que concentra maior intenção de votos (homens, jovens, pessoas com maior escolaridade e renda elevada) e fortalecer a construção de uma bancada de deputados federais para as eleições de 2026. Nas visitas, Renan tem priorizado pautas locais e apresentado propostas voltadas às demandas de cada município. A pré-campanha faz levantamento dos principais problemas identificados nas cidades, produz vídeos e impulsiona esse conteúdo nas redes sociais para moradores da própria região, como forma de ampliar sua presença em áreas onde ainda é pouco conhecido. Para a equipe, a estratégia já começa a se refletir nas pesquisas, com avanço das intenções de voto em alguns Estados, como Tocantins. O partido enfrenta também dificuldade com recursos. O Missão, homologado em 2025, receberá cerca de R$ 3,3 milhões do Fundo Eleitoral, valor mínimo distribuído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para complementar os recursos, a campanha aposta em uma vaquinha virtual, que já arrecadou R$ 1,15 milhão, e no lançamento de um aplicativo para mobilizar eleitores no meio digital e nas ruas. Segundo Amanda Vettorazzo, vereadora pelo União Brasil em São Paulo e coordenadora da pré-campanha, os recursos do fundo serão direcionados às demais candidaturas, e não à de Renan. O objetivo é superar a cláusula de barreira e formar uma bancada na Câmara dos Deputados, hoje representada apenas por Kim Kataguiri (Missão-SP). “Vamos ter candidatos nos 27 Estados, não majoritário em todos. Mas em nove ou dez Estados serão candidatos ao governo”, afirma Vettorazzo ao Valor. A coordenadora diz acreditar que o partido poderá repetir o desempenho obtido pelo Novo em seus primeiros anos, impulsionado pelo voto de legenda. “Vai haver uma onda de voto no 14 [número do Missão nas urnas].” Para superar a cláusula de barreira, o Missão precisará eleger ao menos 11 deputados distribuídos por nove Estados ou obter 2% dos votos válidos para a Câmara, com pelo menos 1% dos votos válidos em nove unidades da Federação. No discurso, a campanha pretende explorar a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentando Renan Santos como alternativa. Na avaliação de Vettorazzo, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) não representam uma terceira via. Isso porque, apesar do discurso de independência, ambos ainda estariam politicamente vinculados ao bolsonarismo: “No fundo, são linhas auxiliares do bolsonarismo”. A expectativa da pré-campanha está concentrada no primeiro debate entre os presidenciáveis, marcado para 16 de agosto, na TV Bandeirantes. A equipe vê como uma oportunidade para ampliar o conhecimento do eleitor sobre o candidato. Pesquisa Genial/Quaest mais recente mostra que o percentual de eleitores que dizem não conhecer Renan passou de 70%, em junho, para 77%, em julho. Como exemplo da estratégia, Renan criticou a proposta do senador de distribuir celulares gratuitamente para mulheres e idosos. Segundo ele, a medida custaria mais de R$ 100 bilhões por ano e reproduziria uma lógica de “promessas assistencialistas” semelhante, para ele, à do governo Lula. Na área econômica, Kim Kataguiri, coordenador do programa econômico, explica que a pré-campanha defenderá uma agenda liberal baseada em corte de gastos e redução de incentivos fiscais a empresas. A meta é gerar economia de R$ 1,1 trilhão em cinco anos e conter o avanço da dívida pública. Entre as propostas está a desindexação dos benefícios previdenciários do salário mínimo, medida que, segundo ele, será defendida abertamente por Renan durante a campanha como necessária para preservar a sustentabilidade das contas públicas e garantir o pagamento de aposentadorias e pensões. (Colaborou Érica Ribeiro)