Em congresso realizado na Fiesp, Giovanni Polcini falou sobre a experiência italiana com as máfias e fez paralelos entre organizações criminosas europeias e a facção paulista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Giovanni Tartaglia Polcini — Foto: Reprodução/ YouTube Fiesp Se o Primeiro Comando Capital (PCC) fosse julgado pela ótica da legislação italiana, seria classificado como uma máfia, assim como grupos transnacionais europeus, como a 'Ndrangheta. Essa é a avaliação do assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Giovanni Tartaglia Polcini, feita durante evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (31). Durante palestra no Congresso Fiesp de Segurança Pública, Polcini fez um paralelo entre a experiência italiana no combate às máfias e o PCC. Ele também afirmou que o setor privado precisa participar ativamente do enfrentamento a esses grupos, para evitar a infiltração criminosa na economia formal. — O Estado é lento ao compreender o quanto é necessário trabalharmos todos juntos. E isso vale também para o setor privado [...] O setor privado tem que participar ativamente, tem que ser vigilante, colaborando. Não tem que substituir o poder público, cada qual tem que desempenhar o próprio papel, mas as máfias, as de hoje, violentas e silenciosas, não são derrotadas apenas e exclusivamente nas salas dos tribunais, mas também são derrotadas nas atividades econômicas legais — disse Polcini. O assessor é ainda diretor adjunto do programa da União Europeia El Paccto 2.0, uma iniciativa de cooperação internacional para o combate ao crime organizado na América Latina e no Caribe. Durante a palestra, ele apontou que o Brasil vem reduzindo o número de mortes violentas nos últimos anos. — Na Itália nós tivemos esse exemplo, nem sempre a diminuição da violência da rua corresponde à falha da criminalidade. Ao contrário, a criminalidade poderosa não precisa mais utilizar violência, utiliza outros meios para coagir e para controlar o território. Ter uma visão exata do que são as máfias significa criar infraestruturas para o desenvolvimento econômico e social do país — afirmou Polcini. O italiano usou um conceito cunhado pelo juiz Giovanni Falcone para falar sobre os três canais de infiltração usados pela máfias para se estabelecer em um país: corrupção, lavagem de dinheiro e infiltração na administração pública. Ele também falou sobre o controle do sistema prisional. — Controla-se o território desde o interior das prisões, que deveria ser o lugar de recuperação da segurança e da legalidade. É um paradoxo. E, portanto, um Estado que quiser reconquistar a segurança de seu território tem que agir para quebrar os canais de infiltração nessas três linhas que eu enumerei agora — afirmou o assessor jurídico. Outro ponto destacado durante a palestra foi a utilização de criptomoedas para lavagem de dinheiro. O representante do governo italiano afirmou que a 'Ndrangheta, assim como o PCC, tem se utilizado de moedas digitais para o branqueamento de capitais. Ele explicou ainda que a construção de um ordenamento jurídico que resultou em um combate mais eficiente às máfias levou aproximadamente 50 anos. — Nós tivemos que construir uma arquitetura antimáfia. O primeiro foi a qualificação jurídica da conduta da máfia, uma figura criminosa, um tipo de delito autônomo, a associação mafiosa. Depois, a criação da possibilidade de celebrar grandes processos chamados maxiprocessos, ou seja, processos nos tribunais com até 300 réus, para permitir que toda a estrutura fosse processada ao mesmo tempo, sem deixar de responder aos princípios da tutela das liberdades fundamentais do Estado de Direito — disse Polcini. A estratégia salvadorenha é alvo de críticas de organizações internacionais. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirmou em abril deste ano estar “seriamente preocupada” com os impactos do prolongamento do regime de exceção em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele. A Human Rights Watch também documentou detenções arbitrárias, tortura e outras formas de maus-tratos, inclusive contra crianças e adolescentes. Villatoro rejeitou as críticas e chamou seus opositores de “pseudo-defensores de direitos humanos”. Segundo ele, essas organizações estariam mais preocupadas com os direitos dos criminosos do que com os das vítimas, discurso semelhante ao de parte da direita brasileira.
PCC é uma organização mafiosa e setor privado precisa participar 'ativamente' do combate ao crime, diz representante do Ministério das Relações Exteriores da Itália
Em congresso realizado na Fiesp, Giovanni Polcini falou sobre a experiência italiana com as máfias e fez paralelos entre organizações criminosas europeias e a facção paulista






