Candidatos elogiam exemplo do presidente de El Salvador e minimizam denúncias de violação de direitos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 (a partir da esq.) Guilherme Derrite, Alfredo Gaspar e Sergio Moro participam de congresso na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) — Foto: Divulgação/Fiesp Aliados do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, engrossaram nesta segunda-feira (31) a defesa do modelo de segurança pública adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, durante congresso na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), participou do evento, que teve palestra do ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, um dia após ele ter se encontrado com o presidenciável, em São Paulo. O senador e candidato do PL ao governo do Paraná, Sergio Moro, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado por São Paulo e ex-secretário estadual de Segurança Pública, elogiaram as políticas de Bukele que reduziram drasticamente os índices de criminalidade naquele país e minimizaram as denúncias de violações de direitos humanos. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que os índices de aprovação ao governo de Bukele pela população salvadorenha demonstram a eficácia das medidas. Em sua fala, numa mesa que reuniu Moro, Derrite e outros convidados, após a palestra de Villatoro, Gaspar endossou a visão de Flávio de que "tem pouco preso no Brasil", exposta pelo presidenciável no domingo (30), após sua reunião com o ministro do país da América Central. Segundo o candidato a vice, "o Brasil precisa prender mais e melhor", endurecendo a legislação penal para garantir o cumprimento de pena. O discurso de que é preciso retomar áreas controladas por organizações criminosas foi enfatizado por todos. "O [candidato a] presidente Flávio está obstinado em decretar guerra ao crime organizado. O primeiro ato do seu governo é transformar essas facções em organizações terroristas. Com isso, já vem todo um arcabouço legal para que nós possamos também, normativamente, amparar as nossas polícias na ponta", afirmou Gaspar. Segundo ele, que é deputado federal, o "Estado brasileiro foi fraco" e permitiu o surgimento e expansão de grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O candidato a vice embutiu uma crítica indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, ao questionar a soberania do Brasil sobre seu território, em contraponto à bandeira de Lula para a política externa. Para Gaspar, é impossível falar em soberania nas comunidades subjugadas por traficantes e milicianos, que obrigam moradores a contratarem serviços e controlam a circulação. Ele prometeu que, caso a chapa do PL seja eleita, vai usar medidas "ostensivas e preventivas" para recuperar territórios. Dizendo que "bandido não vai ter vez no Brasil" e que "a bandidagem não vai aguentar a pressão do Estado" se Flávio vencer, o candidato a vice afirmou ainda que parte dos recursos economizados com o ajuste fiscal planejado pelo candidato seria usada para criar vagas para 500 mil presos. Também prometeu valorização das polícias. "O Brasil precisa de autoridade, prestigiarmos as forças policiais de verdade, sem eles saírem de casa para matar, mas saírem capacitados para fazer o enfrentamento", declarou Gaspar. Visto como inspiração por Flávio e outros presidenciáveis de oposição a Lula, como Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), o sistema de segurança de El Salvador foi descrito pelo ministro de Bukele como responsável por fazer o país deixar a posição de um dos mais inseguros do mundo. Villatoro rebateu as críticas daqueles que chamou de "pseudodefensores de direitos humanos" e afirmou que agem com "hipocrisia", ao reivindicarem direitos para presos e darem menos importância para a segurança dos "bons salvadorenhos". Moro, que foi um dos organizadores da programação do congresso sobre segurança público, por presidir um conselho da Fiesp voltado ao tema, anunciou durante o evento que, se eleito governador do Paraná, dará o nome de "El Salvador" a um presídio estadual de segurança máxima que pretende construir. Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro (PL), ele disse que os presídios em El Salvador cumprem o papel de "neutralizar" os criminosos, garantindo o isolamento efetivo deles depois de presos, diferentemente do que ocorre no Brasil. Moro lembrou ainda os custos econômicos da criminalidade e lembrou que a violência aumenta os gastos das empresas com seguros e segurança privada, além de ampliar as incertezas para os negócios. Por isso, ele considerou que El Salvador pode "inspirar" não só o Paraná, mas o Brasil. Em entrevista coletiva ao lado de Derrite, ele reafirmou o apoio deles a Flávio, mas disse que o evento da Fiesp tinha cunho técnico, e não político-partidário. Segundo Moro, o governo Lula foi convidado a enviar um representante para o congresso, mas declinou o convite. O seminário também contou com a participação de Giovanni Tartaglia Polcini, assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da Itália, que foi convidado para falar sobre a atuação do país no combate ao crime organizado e a cooperação internacional com o Brasil. De acordo com os organizadores, as exposições permitem que o Brasil possa aprender com as experiências de outros países e adapte as políticas para a realidade local. "Obviamente, nós vamos pautas as nossas ações sempre dentro da legalidade", observou Derrite. O candidato a senador aproveitou a participação para criticar adversários do PT por afirmarem que a Carbono Oculto foi de responsabilidade federal, e argumentou que a operação "nasceu e cresceu" por iniciativa das autoridades paulistas. A Carbono Oculto, que mirou a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis, foi fruto de uma parceria entre órgãos federais e estaduais, como Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público do Estado de São Paulo. O PT tem citado a operação no contexto eleitoral como exemplo de combate ao crime organizado asfixiando o braço financeiro, algo a ser aprofundado caso Lula se reeleja. Em conversa com jornalistas, Skaf disse esperar que "os novos governantes que serão eleitos neste pleito que está chegando tenham como prioridade a segurança pública e tenham a coragem de tomar as providências necessárias para que haja uma melhoria verdadeira". O presidente da Fiesp defendeu a união das autoridades e da sociedade civil para enfrentar o problema e disse que a soberania estará ameaçada enquanto houver "um metro" que seja do território nacional na mão do crime organizado. "Soberania é nós controlarmos o nosso território inteiro", afirmou. Na semana passada, Skaf recebeu Flávio para uma palestra na Fiesp e demonstrou apoio às propostas de cortes de gastos, enxugamento do Estado e desburocratização do presidenciável. Questionado pela imprensa se declararia apoio ao candidato do PL, ele evitou responder diretamente e disse que a entidade é apartidária, mas que existe "uma simpatia" às bandeiras defendidas pelo filho de Bolsonaro. Ao lado dele, Flávio brincou que já sabia "em quem ele não vai votar", numa provocação a Lula.
Vice de Flávio Bolsonaro, Moro e Derrite defendem modelo Bukele para segurança pública
Candidatos elogiam exemplo do presidente de El Salvador e minimizam denúncias de violação de direitos













