População carcerária do país é de quase um milhão de pessoas, número que vem aumentando nos últimos anos; candidato do PL se reuniu com Gustavo Villatoro em hotel em São Paulo neste domingo (30) e deve usar encontro em propaganda na TV 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro de Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, e o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Hyndara Freitas/O Globo O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou, neste domingo (30), com o ministro de Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, com quem discutiu ideias para o combate do crime organizado. Flávio disse que pretende se inspirar no país da América Central, sobretudo na ampliação de presídios e no endurecimento da legislação penal, e defendeu que o Brasil prenda mais do que já prende atualmente — a população carcerária era de 964.074 pessoas no fim de 2025, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), um número 6% maior do que em 2024. — Tem pouco preso no Brasil, tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação é frouxa, então por isso nós vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios, para que ladrão de celular que comece com pena de no mínimo oito anos de cadeia fique preso, não apenas seja preso, mas fique preso. Nós vamos investir muito em tecnologia para que eles fiquem de fato incomunicáveis — disse o candidato durante coletiva de imprensa. O senador foi indagado pelo GLOBO se a mera construção de novas unidades prisionais tiraria o poder que o crime organizado exerce dentro desses espaços, já que muitas vezes lideranças de facções comandam as organizações de dentro dos presídios. Flávio disse que vai endurecer as leis, acabar com as “saidinhas” e que em seu governo as cadeias “vão deixar de ser escolas do crime”, mas detalhou seus planos. — A legislação vai mudar, os presídios vão deixar de ser escolas do crime e vão ser exemplo, exemplo para o seguinte: você, marginal que for preso, entenda, você não vai sair rápido, você vai ficar preso, você vai pagar pelos crimes que você cometeu, e isso com certeza vai desencorajar muita gente a continuar praticando o crime — disse. 'Treva' No encontro, que durou cerca de uma hora e foi realizado em um hotel em São Paulo, Flávio ouviu Villatoro sobre as experiências do governo Nayib Bukele na segurança pública. O senador e outros políticos da direita têm mencionado El Salvador como inspiração nessa área, especialmente o modelo do Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), que mistura faccionados sob controle absoluto. As medidas de Bukele são alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que já apontaram episódios de torturas e mortes dentro do sistema carcerário salvadorenho. Flávio não falou sobre o tema. A proposta do candidato do PL é a construção 500 mil vagas em quatro anos e cinco presídios de segurança máxima num complexo batizado de “Treva”. Trechos da conversa dos dois foram gravados e serão usados na propaganda eleitoral de Flávio na televisão, que irá ao ar nos próximos dias. Também participaram da reunião Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, e os candidatos ao Senado por São Paulo André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), além do candidato a deputado federal Gil Diniz (PL). No encontro, Moro chegou a dizer que, se eleito, pretende construir um presídio de segurança máxima no Paraná e batiza-lo em homenagem a El Salvador. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que é possível “acabar com as facções criminosas no Brasil” assim como El Salvador fez, ainda que o país da América Central tenha cerca de 6 milhões de habitantes e o território seja menor do que o estado de São Paulo, porque o Brasil tem mais recursos. — Ele (Villatoro) falou: “olha, não é impossível, não, nós fizemos em El Salvador, que é um país pequeno, é verdade, mas muito pobre, se vocês são um país grande e tem muitas riquezas, não tem explicação para que as facções criminosas continuem dominando os territórios”. Basta ter um presidente da República que tenha coragem de enfrentá-los, e Flávio Bolsonaro terá — afirmou o presidenciável, ao lado do ministro salvadorenho, que não se falou à imprensa por orientação diplomática de seu país, por se tratar de período eleitoral. Indagado por jornalistas sobre a viabilidade financeira de construir mais presídios, Flávio disse que isso será possível “com um governo enxuto e moderno” e mencionou sua promessa de “tesouraço na burocracia e nos impostos”. — Vamos buscar novas fontes de receita também, como a exploração do petróleo na Margem Equatorial. Nós vamos buscar segurança jurídica para os investimentos aqui, então vai ter dinheiro suficiente. Eu estimo que, para abrir essas quase meio milhão de vagas em presídios, serão entre R$ 35 e R$ 40 bilhões em quatro anos, e isso é perfeitamente possível quando nós iniciarmos o nosso governo — falou.
'Tem pouco preso no Brasil', diz Flávio Bolsonaro após encontro com ministro da Segurança de El Salvador
População carcerária do país é de quase um milhão de pessoas, número que vem aumentando nos últimos anos; candidato do PL se reuniu com Gustavo Villatoro em hotel em São Paulo neste domingo (30) e deve usar encontro em propaganda na TV










