Angel Ferreira decidiu desacelerar. Ele se afastou dos trabalhos na televisão, adotou um novo nome artístico e foi morar no interior de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. Durante cinco anos, viveu no chassi de um ônibus adaptado, cercado pelo mato, sem rede elétrica e sem água encanada. Esse tempo de silêncio e escuta virou a matéria-prima para adaptar para o teatro o clássico "Sidarta", de Hermann Hesse.

No palco, a busca espiritual vira uma experiência humana, direta e cheia de frescor. Angel conduz a narrativa com leveza e bom humor, usando uma linguagem descontraída e contemporânea que aproxima o texto do público de hoje. A encenação trata das grandes dúvidas da existência sem solenidade, rindo com o espectador das nossas próprias vaidades e contradições cotidianas.

A trajetória mostra que a descoberta de si mesmo não acontece em linha reta. Sidarta começa rompendo com os privilégios da família para viver como asceta na floresta, jejuando e castigando o corpo. Mais tarde, ele encontra o próprio Buda histórico. Embora admire a clareza daquela filosofia, percebe algo essencial: livros e mestres conseguem transmitir apenas conceitos intelectuais, mas a sabedoria autêntica só nasce daquilo que experimentamos na própria pele.