Autoridades espanholas têm tido dificuldade de estabelecer quem deve ser deportado e quais são os candidatos a asilo em meio às crescentes tensões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Espanhóis protestam a presença de migrantes em Ceuta; tensões entre os grupos cresce na região — Foto: ANTONIO SEMPERE/AFP As autoridades espanholas pediram socorro à União Europeia para checar documentos e realizar a triagem de cerca de 5.000 estrangeiros que chegaram à Ceuta nas ondas migratórias em massa no último mês. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska enviou nesta sexta (28) um pedido a Beate Gminder, o diretor-geral de imigração e assuntos domésticos da Comissão Europeia, para que a Agência de Fronteira e Guarda-Costeira da UE, a Frontex, prestasse apoio às autoridades locais. Segundo a agência Reuters, Grande-Marlaska quer 10 oficiais da Frontex para agilizar o processamento da entrada dos migrantes no enclave espanhol, muitos deles acomodados em acampamentos de refugiados até o momento. A Espanha tem tido dificuldades em identificar, com agilidade, quais migrantes de Ceuta têm direito à proteção internacional – ou seja, asilo humanitário – e quais devem ser deportados. Madri fez ainda na terça (25) um pedido à UE para obter fundos emergenciais para lidar com a situação. A situação é considerada emergencial pelas autoridades espanholas, especialmente após moradores de Ceuta – território da Espanha no norte da África – terem invadido um acampamento de migrantes na praia de El Trampolín desde quinta (27), ateado fogo a objetos e jogado outros ao mar, em tentativa de expulsar os "invasores". Moradores de Ceuta pedem a expulsão dos "invasores" após a destruição de seu acampamento; milhares vagam pelas praias da região ou estão abrigados em barracas precárias desde a chegada ao enclave — Foto: ANTONIO SEMPERE/AFP A polícia teria apenas acompanhado a manifestação no acampamento e formado um cordão de isolamento, que impedia os migrantes que assistiam ao incêndio da praia de se aproximarem dos moradores, ainda de acordo com a agência de notícias. No entanto, 12 migrantes marroquinos foram presos na quinta depois um grupo de 70 deles apedrejarem um veículo do Exército, ferindo um soldado e outros quatro refugiados. Segundo o jornal El País, 11 foram expulsos de Ceuta. Horas antes, dezenas de manifestantes realizaram um bloqueio para impedir que veículos da Cruz Vermelha chegassem à praia para distribuir comida a centenas de migrantes que permanecem na área, segundo a AFP, mas foram dispersados pela polícia. Membros da Cruz Vermelha Internacional têm encontrado resistência dos espanhóis para levar mantimentos e serviços aos migrantes de Ceuta — Foto: ANTONIO SEMPERE/AFP Estima-se que entre 5.000 a 8.000 migrantes, entre eles crianças desacompanhadas, ainda estejam em Ceuta. Cerca de 72 mil cruzaram a fronteira do Marrocos com a Espanha desde 30 de julho, mas muitos já retornaram aos seus países de origem. No entanto, o fluxo desordenado de imigração teria deixado 82 mortos no lado espanhol da fronteira e outros 14 no lado marroquino, segundo números oficiais. Grupos de direitos humanos acreditam que estes números possam ser maiores, reportou a rede Al Jazeera.