Mais de 72 mil migrantes cruzaram irregularmente do Marrocos para o pequeno território espanhol no mês passado, em um fluxo sem precedentes que gerou preocupação em todo a União Europeia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Migrantes retornam ao Marrocos vindos do enclave espanhol de Ceuta, sexta-feira, 31 de julho de 2026 — Foto: AP/Antonio Sempere O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira que há indícios de que Rússia e Israel disseminaram desinformação sobre a política migratória espanhola que desencadeou a chegada em massa de migrantes a Ceuta no mês passado, mas disse não haver evidências de envolvimento do Marrocos. Mais de 72 mil migrantes cruzaram irregularmente do Marrocos para o pequeno território espanhol entre 30 e 31 de julho, em um fluxo sem precedentes por uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África, provocando preocupação em todo o bloco. Pelo menos 100 pessoas morreram na tentativa, segundo as autoridades locais de Ceuta. Partidos da oposição espanhola e alguns grupos de direitos humanos acusaram Rabat de ter permitido deliberadamente a travessia em massa, acusação negada pelo Marrocos. “Quando as pessoas falam e especulam sobre a participação das autoridades marroquinas, nego isso categoricamente”, disse Sánchez à rádio SER. Vídeos no Instagram, TikTok e outras redes sociais disseminaram informações enganosas de que migrantes que chegassem a Ceuta pelo mar poderiam permanecer na Espanha, incentivando milhares de pessoas a tentar a travessia, segundo as autoridades espanholas. Sánchez afirmou que uma investigação do Serviço Europeu para a Ação Externa (Seae), o braço diplomático da UE, indicou que redes russas e israelenses estavam por trás da disseminação da desinformação, em conjunto com redes de extrema direita. Segundo o premiê, estava claro que os dois países haviam usado a crise para criticar Madri por insatisfação com a posição espanhola sobre as guerras na Ucrânia e em Gaza, mas ele não forneceu mais detalhes sobre as evidências do suposto envolvimento. Mais tarde nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, afirmou em uma publicação no X que Sánchez estava “mentindo descaradamente” ao acusar Israel de disseminar informações enganosas sobre Ceuta e classificou a acusação como uma tentativa de desviar a atenção de fracassos da política interna espanhola. O governo russo rejeitou as acusações da Espanha de que Moscou estaria ligada à crise migratória em Ceuta, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. O Serviço Europeu para a Ação Externa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, faz declarações em Ceuta, Espanha, em meio à travessia em massa de migrantes a pé e por mar do Marrocos para o território espanhol, em 31 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Fabian Bimmer Aumentam tensões em Ceuta Cerca de 5 mil migrantes, alguns deles solicitantes de asilo, permanecem em Ceuta desde a chegada em massa pela fronteira, provocando protestos quase diários de moradores contra a forma como o governo espanhol vem lidando com a crise e ataques esporádicos contra um acampamento improvisado de migrantes na praia de El Trampolín, segundo relatos da polícia. A polícia prendeu no domingo três cidadãos marroquinos por arremessarem garrafas contendo líquidos corrosivos contra uma patrulha do Exército em Ceuta, informou a agência de notícias EFE, citando fontes policiais. Ninguém ficou ferido no ataque, acrescentou a reportagem. Sánchez também anunciou nesta segunda-feira que o governo destinará mais €168 milhões (US$ 195 milhões) em recursos emergenciais para reativar a economia de Ceuta, valor equivalente a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do enclave. A quantia se soma aos €180 milhões prometidos na semana passada para os esforços de recuperação de médio prazo.