Primeiro-ministro culpou desinformação amplificada por redes de extrema direita por crise do mês passado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez — Foto: Borja Puig de la Bellacasa/La Moncloa/AFP O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, isentou o governo de Marrocos nesta segunda-feira pela entrada irregular de cerca de 70 mil migrantes na cidade autônoma de Ceuta, no mês passado, em um evento de migração em massa que gerou atrito entre os dois países e abriu crises de política interna e externa para as autoridades em Madri. Em entrevista à rede espanhola Cadena Ser, Sánchez culpou a desinformação difundida e amplificada pela "extrema direita internacional" pelo fenômeno e afirmou que cerca de 5 mil pessoas ainda estão no território do norte da África. A Itália prorrogou por 15 dias a suspensão das normas do espaço Schengen — de livre-circulação entre países-membros da União Europeia — com a Espanha, que aplicou uma medida de reciprocidade. — Não há qualquer informação, nem por parte das forças e corpos de segurança do Estado [espanhol], nem do Centro Nacional de Inteligência (...) que lance qualquer dúvida, ou melhor dizendo, alguma dúvida sobre a participação, de uma forma ou de outra, por parte das autoridades marroquinas — disse o premier à rádio. — Depois dos dias 30 e 31 de julho, houve uma expansão de notícias falsas e da desinformação nas redes sociais associadas tanto à Rússia como a Israel e a uma extrema direita internacional que utiliza a migração, não apenas para atacar a Espanha, mas também a Europa e dividi-la. A travessia recorde de mais de 70 mil pessoas pela fronteira entre Marrocos e Ceuta foi apontada por analistas como um evento atípico dentro da dinâmica imigratória na região. Muitos indicaram que não seria possível que um fluxo tão grande de pessoas tivessem atravessado a fronteira sem algum tipo de ajuda ou omissão das autoridades marroquinas, apontando que Rabat teria motivos para pressionar o governo em Madri, dada a reaproximação com a Argélia, envolvendo interesses políticos (como o apoio histórico de Argel à Frente Polisário, que reivindica o controle do Saara Ocidental) e econômicos (os dois países africanos são concorrentes no mercado de fornecimento de gás natural à Europa). A crise elevou as tensões sobre o Gabinete de Sánchez. No cenário interno, adversários políticos apontaram para a situação no enclave como uma prova da incapacidade do governo de lídar com o que compararam a uma invasão estrangeira. Em Ceuta, uma cidade com população em torno de 80 mil pessoas, causou pânico. Protestos cada vez maiores denunciam problemas de segurança e higiene. As autoridades locais dizem que 10 mil pessoas seguem no território, enquanto Sánchez indicou que a maioria retornou quase imediatamente, e cerca de 5 mil continuam, incluindo cerca de 1,2 mil menores de idade não acompanhados. Externamente, a maior fratura política para Sánchez foi com aliados da UE, que usaram o episódio para apontar que a política migratória mais aberta do governo progressista espanhol colocaria o continente em risco. A Itália, da líder de direita radical Giorgia Meloni, decidiu nesta segunda-feira prorrogar por 15 dias a suspensão das normas do espaço Schengen com a Espanha, instaurada em 1º de agosto. "A decisão foi tomada em conformidade com a análise realizada pelo Comitê de Análise da Imigração e da Segurança das Fronteiras, devido à persistência dos elementos de avaliação que motivaram sua reintrodução em 1º de agosto", informou o Ministério do Interior italiano em um comunicado. Roma destacou que essa decisão foi tomada "levando também em consideração as iniciativas já empreendidas pela Espanha, em colaboração com a União Europeia, para que a situação nessa região [Ceuta] possa avançar rumo a uma próxima normalização". Pouco depois, o governo espanhol respondeu com uma decisão equivalente, prorrogando "controles de fronteira sobre os passageiros que chegam ao território nacional por via marítima ou aérea, procedentes da Itália". (Com AFP)
Premier da Espanha isenta Marrocos por crise migratória em Ceuta, enquanto Itália prolonga suspensão de livre-circulação com o país
Primeiro-ministro culpou desinformação amplificada por redes de extrema direita por crise do mês passado









