Um distrito que tem hino, bandeira, brasão e clube de futebol centenário —que agora é SAF. E cujo morador faz jus a um gentílico, algo que não é prerrogativa de habitante de quase nenhum outro lugar da cidade —ou você por acaso sabe como chamam as pessoas que moram nas Perdizes, em Itaberaba, no Campo Belo ou na Vila Mariana?

Mas com a Mooca e com o mooquense a parada é outra. O morador da Mooca é o paulistano ao quadrado, o paulistano-paulistano, o paulistano da anedota, para o bem ou para o mal. Quando algum humorista carioca, Gregório Duvivier, por exemplo, tenta imitar um dos nossos, mesmo que seja um yuppie da Faria Lima, é no falar italianado do mooquense que ele pensa.

A Mooca talvez seja um estado de espírito, algo na linha "palavra abissal" com que Drummond identificou Minas Gerais. Pensa: esse lugar que "(...) Desde o parque Dom Pedro/ Tudo em ti é sucesso", como diz o hino do distrito, às vezes é tratado como "país" por seu morador.

Mas a vertigem imobiliária de toda a cidade também está lá, e nisso a Mooca pouco difere de outras regiões. Diversas incorporadoras, muitas delas insufladas pelos incentivos monetários fáceis da habitação social, mudam a cara de quarteirões inteiros.