Não deve existir nada tão emblemático, e certamente nada mais tocante, do que o filme "Amora", de Ana Petta, como documento visual a registrar as mudanças vertiginosas por que passa a cidade de São Paulo.
Ana viveu com os filhos Maria e Pedro numa vilinha com casas quase centenárias na Vila Mariana, e é da iminente verticalização da vila, e da luta de sua família e de seus vizinhos para deter esse processo, de que fala a produção.
O documentário foi lançado em 2025, bem antes da demolição dos imóveis, sem autorização da prefeitura, no último dia 13, sábado da estreia do Brasil na Copa, contra Marrocos. O alvará de demolição havia caducado e, segundo os moradores, ainda caberia recurso à decisão do Conpresp pelo arquivamento da abertura do processo.
Responsável pela conservação do patrimônio cultural, histórico e ambiental da cidade, o órgão considerou que os imóveis estavam descaracterizados e em mau estado de conservação. O processo levou 13 anos para começar a ser apreciado, em 2019.
A Vila Mariana, lar de cerca de 130 mil pessoas, é um distrito em total transformação.








