Para que a perspectiva retorne ao nível estável, a Moody’s aponta que é preciso apresentar geração de caixa operacional mais forte e redução mais expressiva do cronograma de vencimentos de dívida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Unidade da Âmbar Energia, empresa do grupo J&F — Foto: Reprodução A Moody’s cortou a perspectiva da nota de crédito global “Ba1” da J&F de estável para negativa por conta de um aumento no risco de refinanciamento em meio às condições mais restritivas para os negócios do conglomerado. Os analistas Barbara Mattos e Marcos Schmidt escrevem que, embora a liquidez no curto prazo siga em patamar adequado, a margem de segurança do grupo encolheu e passa a depender de acesso contínuo ao mercado de capitais e do gerenciamento de passivos. O recente anúncio de um empréstimo de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de expansão para até US$ 1,6 bilhão, foi classificado como um evento positivo por alongar os prazos da dívida, mas também evidencia a expressiva necessidade de refinanciamento. Com os recursos do novo empréstimo, a posição de caixa da J&F é suficiente para cobrir os compromissos de 2026 e 2027, mas o grupo ainda precisará endereçar a maior parte dos R$ 7,6 bilhões vincendos em 2028. A expectativa da agência é que o perfil de liquidez e a flexibilidade financeira permaneçam sob pressão, deixando o crédito vulnerável a possíveis atrasos nas iniciativas de gestão de dívida ou a uma piora no acesso a mercado. Os analistas afirmam que a dependência da holding com a JBS tende a diminuir gradualmente à medida que outras frentes do portfólio, com destaque para a geração de energia, ampliem sua participação na geração de caixa operacional. A dependência de proventos de uma controlada não integral gera incertezas relacionadas a eventuais mudanças nas condições de mercado ou nas prioridades de alocação de capital da frigorífico. Para que a perspectiva retorne ao nível estável, a Moody’s aponta que o grupo precisará apresentar uma geração de caixa operacional mais forte e promover uma redução mais expressiva do cronograma de vencimentos de dívida. Em contrapartida, um rebaixamento pode ocorrer caso a J&F não consiga endereçar vencimentos preservando a flexibilidade financeira, enfrente deterioração no desempenho das subsidiárias ou adote políticas financeiras mais agressivas.