Analistas da agência explicaram que o rebaixamento reflete a expectativa de que o programa de investimentos da estatal mineira limite a melhoria das métricas de crédito da companhia no curto prazo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A S&P Global Ratings cortou a perspectiva da nota de crédito global “BB-” da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) de positiva para estável. Os analistas liderados por Laura Rizzardo escrevem que o rebaixamento reflete a expectativa de que o robusto programa de investimentos da estatal mineira limite a melhoria das métricas de crédito da companhia no curto prazo. Eles projetam que a desalavancagem da Cemig vai começar de fato somente em 2028, com o indicador subindo para 3,5 vezes nos próximos dois anos, comparado aos patamares de 2,4 vezes em 2024 e 3,2 vezes em 2025. A companhia enfrentará um déficit no fluxo de caixa operacional livre nos próximos dois anos, pressionado pelo pagamento de dividendos, estimados em R$ 2,4 bilhões para 2026 e R$ 1,6 bilhão para 2027, e por altas despesas com juros. Como a empresa deve financiar investimentos combinando geração própria de caixa e dívida, a agência calcula que a dívida nominal da Cemig saltará de R$ 25 bilhões ao fim de 2026 para uma faixa de R$ 29 bilhões a R$ 30 bilhões em 2027. Isso impedirá a Cemig de reduzir o endividamento antes de 2028, quando a revisão tarifária de cinco anos da Cemig-D será implementada, reconhecendo os investimentos do ciclo passado na base de ativos regulatórios e impulsionando o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) neste segmento. Eles enfatizam que o rating da Cemig continua sofrendo o desconto inerente ao risco político de ser uma empresa controlada pelo Estado de Minas Gerais, mas reconhecem que o governo estadual não tem interferido nas operações. “Mudanças na administração podem alterar a decisão estratégica da empresa sobre investimentos, iniciativas de gestão de passivos e políticas de distribuição de dividendos”, comentam. — Foto: Divulgação/Acervo Cemig