De acordo com Abbas Araqchi, avanço depende de Washington reconhecer que 'a pressão não funciona'; Tesouro americano anunciou nesta semana nova campanha econômica contra Teerã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma estátua simbolizando a mão do falecido Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, ao lado de um outdoor retratando o presidente dos EUA, Donald Trump, em um caixão, em Teerã , Irã, 23 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira que retomar a diplomacia com os Estados Unidos “não é impossível”, após conversas que classificou como “criativas” com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani. Segundo o chanceler, um avanço depende de Washington reconhecer que “a pressão não funciona”, em meio à nova campanha americana anunciada na segunda-feira para ampliar o isolamento econômico de Teerã. “Tive conversas criativas com Sua Excelência, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar. Retomar a via diplomática não é impossível. Isso depende de os Estados Unidos compreenderem um fato simples: a pressão não funciona. Os EUA devem construir confiança, falar com respeito, reconhecer nossos direitos e cumprir seus compromissos”, escreveu Araqchi em publicação na rede social X. A declaração positiva ocorreu após uma série de iniciativas diplomáticas envolvendo Catar, Paquistão e Omã, com foco tanto na retomada das negociações de paz entre Washington e Teerã quanto na reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã afirmou que poderá liberar a hidrovia caso os EUA cumpram determinadas condições e disse ter chegado a um entendimento com Omã sobre o trânsito pelo estreito, embora autoridades iranianas ressaltem que isso não significa uma reabertura imediata. Anteriormente, as exigências iranianas incluíram o fim do bloqueio americano aos portos do país, o pagamento de indenizações e a retirada de sanções. Não estava claro se Teerã pretendia modificar essas exigências de forma que pudessem ser aceitas por Washington. Os EUA, em contrapartida, mantêm a pressão sobre o regime teocrático. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana uma campanha com o objetivo de sufocar ainda mais a economia iraniana, já castigada pelo conflito, enquanto o presidente Donald Trump sinalizou que não pretende suspender o bloqueio aos portos do país apenas para retomar as negociações. Na quinta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também afirmou que não há negociações em andamento com a República Islâmica e que as tratativas só deverão ser retomadas caso o governo americano considere que o Irã está disposto a negociar de forma significativa. Ela acrescentou que o presidente Donald Trump mantém “todas as opções sobre a mesa” e que o bloqueio naval americano continua em vigor. O petróleo Brent era negociado em torno de US$ 88 por barril nesta sexta-feira. Segundo estimativas de operadores do mercado que acompanham a movimentação de cargas pelo Estreito de Ormuz, entre 6 milhões e 8 milhões de barris de petróleo bruto estão atravessando diariamente a via marítima estratégica. Apesar da recuperação do tráfego em relação aos momentos de maior tensão do conflito, o volume ainda corresponde a cerca de metade do registrado antes do início da guerra, em 28 de fevereiro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha durante um evento de volta às aulas realizado para destacar as políticas educacionais de seu governo, no Roseiral da Casa Branca, em Washington, em 24 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst